Massacre de Paraisópolis completa 100 dias e sem justiça para as vítimas

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Os moradores de Paraisópolis, na zona sul da capital paulista, estão indignados com o relatório final da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo, que inocentou os 31 policiais envolvidos no massacre na favela. Nesta segunda-feira (9), uma caminhada por paz e justiça sairá da viela que foi palco de toda a truculência policial até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Na última sexta-feira (6), os agentes da Polícia Militar de São Paulo assumiram que foram os responsáveis pela morte de nove jovens durante uma ação policial em Paraisópolis, ocorrida no dia 1º de dezembro de 2019. Entretanto, o documento cita “legítima defesa” para pedir absolvição dos PMs envolvidos.

“Eu me sinto revoltada e triste, porque sou mãe. Então, eu me ponho no lugar das famílias que estão sentindo essa dor. A dor periférica é a mesma”, disse a moradora Renata Alves, em entrevista ao repórter André Gianocari, da TVT.

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A Corregedoria concluiu que os policiais não devem ser punidos por que agiram em legítima defesa ou em defesa de terceiros. O relatório da Corregedoria da PM ainda aponta corresponsáveis pelo massacre, entre eles, os pais e responsáveis pelos jovens que foram assassinados.

“As famílias não podem ser ocupadas por essas mortes. Os jovens que morreram também não podem ser responsabilizados pela sua própria morte. É preciso que seja feita justiça para que as famílias possam ter esse sentimento de justiça feita aqui na comunidade”, afirmou o presidente da Associação de Moradores de Paraisópolis, Gilson Rodrigues.

A população de Paraisópolis refuta a versão de que os agentes invadiram a festa atrás de dois suspeitos numa moto. Para os moradores, os verdadeiros responsáveis pelo ocorrido não estão na comunidade.

O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) acompanha o caso e informou que a versão das autoridades é controversa. O órgão criou uma comissão para acompanhar o caso e busca responsabilizar os policiais.

“A versão da polícia tem sido alterada, pois no primeiro momento dizia que houve morte por pisoteamento, sem haver responsabilidade alguma da polícia. Agora a versão diz que há responsabilidade, porém os policiais agiram em legítima defesa. As evidências mostram que não houve uma legítima defesa, mas uma operação mal planejada, mal planejada e mal sucedida”, disse o presidente do Condepe, Dimitri Sales.

Assista à reportagem do Seu Jornal, da TVT:

por RBA