“Bolsonaro é contra a vida”, diz líder do PT na Câmara em artigo

Publicado em 24 março, 2020

O líder do PT na Câmara, deputado Enio Verri (PR), cravou nesta terça-feira (24) que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é um sujeito que atenta contra a vida.

O parlamentar petista acusa Bolsonaro de promover a fome e a propagação de um vírus para o qual não há cura.

Verri ainda aponta o dedo para Paulo Guedes, o Posto Ipiranga, lembrando que sua primeira medida sugerida foi a de vender a Eletrobras.

“Para eles [Bolsonaro e Guedes] não há nação, gente ou a cultura”, critica o líder.

Leia a íntegra do artigo de Enio Verri:

Bolsonaro é contra a vida

Enio Verri*

Seria ingenuidade imaginar algo de bom do governo Bolsonaro/Paulo Guedes. Para eles não há nação, gente ou a cultura. O que há, para os dois, é fazer valer os seus interesses sobre mais de 75% dos 210 milhões de brasileiros, para quem são inimigos a exterminar. Desde que o coronavírus foi anunciado em solo brasileiro, a primeira medida sugerida por Guedes foi a de vender a Eletrobras. A economia mundial derretendo, uma pandemia mundial abala países muito mais bem preparados que o Brasil e o ministro da economia sugere se desfazer de um patrimônio brasileiro, num cenário de grande insegurança para se desfazer de patrimônios.

No desenrolar da crise, Bolsonaro e Guedes não deixam escapar à observação pública o material de que é feito o caráter desses senhores. O ministro disse que injetaria R$ 15 bilhões para pagar R$ 200 a informais e autônomos que perderam a renda devido à pandemia. O governo ofereceu a quem a renda varia de R$ 300 a R$ 998, menos que o mínimo que ele aufere, como forma de compensar o período parado. Além de matar as pessoas de fome, também as mata contaminadas por falta de condições de se proteger e porque, certamente, elas vão às ruas buscar produzir o alimento para suas famílias. Já para os banqueiros, receberam mais de R$ 60 bilhões em garantia de empréstimos concedidos por essas instituições, que continuam com a autoridade de cobrar de seus credores.

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No sentido contrário da política de destruição de Bolsonaro e Paulo Guedes, o Partido dos Trabalhadores apresentou 29 propostas para o enfrentamento à pandemia de COVID-19 e à paralisia econômica, que se arrasta desde muito antes da chegada do coronavírus ao Brasil. Para o PT e todas as forças progressistas deste País, a primeira medida que o governo deveria tomar seria revogar a EC95, mãe de todos os males que assolam o Brasil e alegra o mercado financeiro. Segundo essa medida, editada pelo golpista, Michel Temer, por 20 anos, governo algum poderá investir mais que o valor da inflação do ano anterior. Como o País vive uma recessão, a inflação é baixa, reduzindo ainda mais o índice de investimentos em saúde, educação, desenvolvimento tecnológico e cultural. Desde que foi editada, em 2016, ela já tirou mais de R$ 20 bilhões do SUS, que poderiam ter sido investidos na prevenção contra a COVID-19.

O PT apresentou projetos que vão desde o pagamento de um abono no valor de um salário mínimo a trabalhadores sem vínculo empregatício e que estejam sob os rigores de quarentena, à suspensão de cobrança das taxas de serviço de abastecimento de água, esgotamento sanitário e fornecimento de energia elétrica a idoso aposentado e ou assegurado pelo BPC, durante o período dos efeitos da COVID-19. Com a necessidade de reclusão, o fechamento de escolas, repartições públicas, igrejas, os trabalhadores que vivem na informalidade perderam o mercado dentro do qual defendem a subsistência de suas famílias. Nesse sentido, suspender a cobrança de todas essas taxas e garantir um mínimo de subsistência a famílias flageladas pela pandemia é um ato de humanidade de qualquer governo. Até o momento, Bolsonaro ainda não disse como vai proteger a população.

A sociedade pode acompanha pela internet o desenrolar desse processo e saber quem está preocupado com a população e quem está preocupado com o mercado financeiro. Os feirantes, por exemplo, impedidos de venderem seus produtos nas feiras, devem receber, pelo menos, meio salário mínimo para compensar as perdas com a reclusão. Todos os países minimamente desenvolvidos estão protegendo a sociedade. Aqui, no Brasil, se não fosse a resistência da oposição, os trabalhadores já teriam o contrato de trabalho suspenso e ficariam, pelo menos, quatro meses sem receber salário. Com pressão, o governo capitulou. Porém, o presidente vai apresentar um projeto que corta até 50% dos salários e estabelece meio expediente de trabalho. Ou seja, promove a fome e a propagação de um vírus para o qual não há cura. O Brasil precisa ser curado do Bolsonaro.

*Enio Verri é economista e professor aposentado do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e está deputado federal e líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados.