Terra Indígena Raposa Serra do Sol sofre invasão de garimpeiros

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A Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, demarcada durante o governo Lula (PT), sofre com a invasão de garimpeiros e a instalação de um garimpo ilegal de larga escala.

Para lideranças indígenas, o motivo é a expectativa gerada pela proposta do presidente Jair Bolsonaro para legalizar a atividade.

Desde dezembro, algumas centenas de garimpeiros buscam ouro em uma área da terra indígena no município de Normandia, na fronteira com a Guiana. A estrutura ilegal conta com maquinário, como escavadeiras e moinho trituradores de pedra, pertencentes a não indígenas, segundo as lideranças.

“É como se fosse uma Serra Pelada”, afirma o índio macuxi Edinho Batista de Souza, vice-coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR), criado em 1990 para lutar pela demarcação da Raposa Serra do Sol, que abriga cerca de 25 mil indígenas.

Souza, que visitou a região na semana passada, vincula o garimpo ilegal ao projeto de lei de Bolsonaro que autoriza mineração em terras indígenas, assinado no início deste mês após vários adiamentos. “O pessoal usa como se já fosse uma autorização por parte do governo.”

Segundo reportagem da Folha de São Paulo, o garimpo está provocando estragos ambientais e divisões internas, com o aliciamento de indígenas.

“A minha comunidade vem sofrendo a poluição de igarapés e lagos e está dividida. Já vemos intriga na comunidade por causa desse garimpo, mesmo sabendo que isso não vai trazer o bem”, afirmou Matias Silva de Souza, líder tuxaua.

Matias afirma que os donos do maquinários são não indígenas e que há entrada de prostituição, cachaça e drogas. Um dos igarapés da região, o Atola, está sendo usado para lavagem de pedras. Além disso, houve roubo de gado, a principal atividade econômica local.

“Hoje, os indígenas estão trabalhando como escravos. Há jovens estudantes trabalhando e enriquecendo os donos dos moinhos. Eu, como tuxaua, penso no futuro das crianças, no bem-estar da minha sociedade, dos animais”, diz o tuxaua.

O Conselho Indígena de Roraima já protocolou denúncias, mas até agora nada foi feito. Por ter poder de polícia em área de fronteira, cabe principalmente ao Exército coibir o garimpo ilegal.

A demarcação da Raposa Serra do Sol tem dois adversários históricos no Palácio do Planalto: Bolsonaro e um de seus principais assessores, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o general Augusto Heleno.

Mesmo com obrigação de combater o garimpo, o governo Bolsonaro não faz nada e aposta na legalização da atividade.

Com informações da Folha de São Paulo.

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