Tempos obscuros: Governo Doria também censura livros

Publicado em 11 fevereiro, 2020
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O governo João Doria (PSDB-SP) censurou uma lista de livros de um projeto de leitura em penitenciárias do Estado de São Paulo.

A lista de livros é a seguinte:

  • As Cartas Que Não Chegaram, de Maurício Rosencof;
  • Vá, Coloque Um Vigia, de Harper Lee;
  • Crônica De Uma Morte Anunciada, de Gabriel Garcia Márquez;
  • O Estrangeiro, de Albert Camus;
  • O Fim de Eddy, de Édouard Louis;
  • O Amor Que Sinto Agora, de Leila Ferreira;
  • Bonsai, de Alejandro Zambra;
  • Caderno de Memórias Coloniais, de Isabela Figueiredo;
  • O Quarto Branco, de Gabriela Aguerre;
  • Enquanto Os Dentes, de Carlos Eduardo Pereira;
  • Cabo de Guerra, de Ivone Benedetti; e
  • Paisagem de Outono, de Leonardo Padura.

O programa é uma parceria do governo com a empresa Jnana Consultoria, o grupo Mulheres do Brasil e as editoras Record, Planeta, Todavia e Boitempo. Foram criados clubes de leitura em dez penitenciárias na gestão Márcio França (PSB). Na primeira fase do projeto, de setembro de 2018 a agosto de 2019, houve participação de 200 presos.

Além de estimular a leitura, o programa contribuiu para a chamada remição da pena, que consiste na possibilidade de o presidiário abreviar o tempo de cumprimento de sua pena por meio do estudo.

Cada livro lido pode diminuir a pena em quatro dias. O preso pode ler 12 livros por ano e conseguir com isso até 48 dias de remição da pena. Para isso, ele também precisa escrever uma resenha, que é encaminhada ao juiz regional para que seja efetivada a diminuição da pena.

Em julho do ano passado, o governo do estado renovou o programa Remição em Rede por mais 12 meses. As editoras doaram 240 exemplares dos 12 títulos, que seriam acrescentados à biblioteca circulante já existente.

Os livros, no entanto, não foram remetidos aos presídios. Alguns títulos foram vetados pelo diretor executivo da Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel” de Amparo ao Preso, coronel Henrique Pereira de Souza Neto.

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O governo de São Paulo negou a censura e disse que os livros devem entrar em uma próxima fase do projeto.

As informações são da Folha de São Paulo.

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