Requião: ‘procuradores do MPF têm mesma base genética de deputados’; assista ao vídeo

Publicado em 21 fevereiro, 2020

O ex-senador Roberto Requião (MDB-PR) desencavou ao menos 31 processos que moveu contra o pedágio, quando era governador do Paraná, para provar que procuradores do Ministério Público Federal (MPF) compactuaram com os aumentos na tarifa do pedágio no estado e defenderam contratos favoráveis a concessionárias, porém nefastas à população paranaense.

O emedebista se indignou numa live nesta quinta-feira (20) ao lembrar que perdeu a eleição para o Senado, em 2018, por conta da campanha do MPF contra seu governo. No entanto, frisa Requião, os mesmos procuradores que insinuaram que a corrupção atravessou todos os governos (Lerner, Richa e Requião) assinaram petições favoráveis às pedageiras, contra os interesses do povo.

“No meu governo não, meninotes irresponsáveis”, contestou.

“Eles [os procuradores] diziam ‘pacta sunt servanda’, os contratos devem ser respeitados”, afirma Requião. “E aí, as concessionárias conseguiam manter os aumentos no preço do pedágio, que eu, governador, vetava.”

“No meu não governo, não. Não entrei na política para isso”, reagiu. “Mas eu negava aumento no pedágio, vinha um juiz e concedia o aumento no pedágio.”

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Pareceres do MP estadual concordando com tudo, com o roubo. Mas, o mais bacana, é que todos os processos que foram encerrados pelo Beto Richa tiveram a concordância do MPF. Esqueceram de cuidar dos interesses da população e diziam: ‘nada a opor’.

Para Requião, os procuradores do MPF têm mesma base genética de deputados e empresários. “Caberia uma investigação: por que o MP e o MPF concordaram com o fim dos processos contra a roubalheira no pedágio?”

“Corrupção de quem Dallagnol? Corrupção de quem Castor?”, disse o ex-senador, referindo-se ao procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa Lava Jato, e ao procurador Diogo Castor de Mattos.

“Tenho a obrigação defender a honra do meu governo sério”, completa Roberto Requião, visivelmente irritado.

Vale lembrar que, na época, em 2018, Deltan cogitou disputar o Senado com Requião. Ele se considerava “provavelmente eleito”, segundo mensagens trocadas via Telegram e entregues ao The Intercept Brasil.

“Tenho apenas 37 anos. A terceira tentação de Jesus no deserto foi um atalho para o reinado. Apesar de em 2022 ter renovação de só 1 vaga e de ser Alvaro Dias, se for para ser, será. Posso traçar plano focado em fazer mudanças e que pode acabar tendo como efeito manter essa porta aberta”, escreveu o chefe da Lava Jato no 29 de janeiro de 2018.