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Novo partido de Bolsonaro, o Aliança, pode bater na trave do STF

Roberto Amaral: Na base de apoio ao partido do bolsonarismo, que flerta com formações paramilitares, encontram-se também, além de católicos e seitas religiosas variadas, camadas significativas do neopentecostalismo, o que pode fazer do futuro Aliança o primeiro partido confessional brasileiro.

O Supremo Tribunal Federal (STF) pode colocar uma pedra no caminho do partido Aliança pelo Brasil, nova agremiação do presidente Jair Bolsonaro. Ou ajudar o capitão, dependendo do ângulo que o leitor observa essa notícia.

A corte vai julgar na próxima semana o mérito de uma ação que discute a proibição para que seja contabilizada, para fins de criação de partidos políticos, de assinatura de eleitores filiados a outras legendas.

O STF tem como jurisprudência firmada em 2015 o endurecimento para com a proliferação de partidos políticos, qual seja, os ministros tendem a criar embaraços para a Aliança pelo Brasil.

Cármen Lúcia, por exemplo, outrora votou contra o surgimento indistinto de agremiações partidários porque, segundo ela, mina o ideário democrático de uma nação.

O novo partido de Bolsonaro precisa de 492 mil assinaturas de apoio de pessoas em todo o país, porém o quadro ainda é bastante tenebroso para o Aliança.

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Das assinaturas que já chegaram ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a situação é a seguinte:

  1. Foram rejeitadas 11.094 assinaturas de apoiamento da Aliança pelo Brasil entregues para validação.
  2. Até agora, foram confirmadas 3.101 assinaturas.
  3.  Ainda estão pendentes de análise na Justiça Eleitoral 46.552 fichas de filiação.

Para disputar a eleição municipal deste ano de 2020, o Aliança precisaria entregar as assinaturas e ter o registro reconhecido pela Justiça até o início de abril. Entretanto, ao que parece, Jair Bolsonaro não pretende carregar nenhum aliado nas disputas pelas 5,7 mil prefeituras brasileiras.

Bolsonaro será o principal vilão na eleição 2020, por isso ele quer pular essa peleja municipal. Ele sabe que a economia vai mal, a recessão causa desemprego, miséria e sofrimento ao povo.

O presidente da República pode ter pisado o freio em relação a 2020, mas, logo após, pisará firme o acelerador para cuidar da sua própria reeleição. O Aliança pelo Brasil, portanto, é um projeto de poder individualista e não coletivo como imaginam os bolsominions.

Pensando bem, o STF poderá fazer um “favor” para Bolsonaro se proibir o Aliança pelo Brasil disputar 2020. As pesquisas de opinião não são nada animadoras para os aliados do presidente nos municípios.