Desmantelar a Educação é um projeto de Bolsonaro

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Enio Verri*

Bolsonaro, definitivamente, devido à frustração de sua limitação cognitiva, está em guerra contra a formação acadêmica, a produção científica, tecnológica e a democracia no ambiente acadêmico. São inimigos, segundo as medidas do governo, a serem aniquilados. De um lado, Bolsonaro desfere um covarde ataque às instituições de educação e acadêmicas do Brasil, por meio do Ofício-Circular 8/2020, do Ministério da Educação. Do outro, o Ministério Público, provocado por uma denúncia anônima, denuncia o diretor-geral do campus Jacarezinho do Instituto Federal do Paraná, o professor Rodolfo Fiorucci, por ele criticar as políticas desastrosas do governo, em suas redes sociais particulares. Para o estarrecimento geral da comunidade acadêmica, a Reitoria acatou a denúncia e decidiu encaminhar o caso ao Conselho de Ética do IFPR.

O ME suspendeu, por tempo indeterminado, dezenas de processos administrativos que impliquem em pagamento, como progressão de qualquer natureza, promoção, horas extras, adicional de insalubridade e periculosidade, auxílio natalidade, entre outros. Ainda segundo o ME, processos seletivos terão continuidade, porém, sem a contratação dos aprovados. O governo Bolsonaro encarna com perfeição uma frase atribuída ao professor Darcy Ribeiro, segundo a qual a crise da Educação no Brasil é um projeto. É triste, mas é verdade. Bolsonaro gosta de elogiar a educação de países desenvolvidos, mas não sabe que eles assim se tornaram porque investiram pesado, com a valorização das instituições, do pensamento crítico e dos profissionais. Os brasileiros não percebem que o governo está promovendo a desqualificação técnica brasileira. Os nossos profissionais estão sendo estimulados a se desinteressarem pelo aprimoramento da formação e da profissão.

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A censura contra o professor Fiorucci é tão escandalosa quanto o corte de verbas para o desenvolvimento acadêmico, científico e tecnológico. A representação contra o diretor-geral é digna de um estado autoritário e ditatorial. Ele não cometeu crime algum, mas foi enquadrado num entulho da ditadura militar, a famigerada Lei de Segurança Nacional, de 1983. O acolhimento da denúncia pela direção do Instituto Federal do Paraná e o seu encaminhamento ao Conselho de Ética causa estupor em toda a comunidade acadêmica do Brasil. O gesto da Direção é um claro aviso que as instituições de ensino, sob o governo Bolsonaro, estão alinhadas a um governo de tendências autoritárias e fascistas. Hoje é o Fiorucci e, amanhã, será com qualquer um outro que ousar criticar um governo para quem o voto direto e a Constituição Federal são empecilhos.

A sociedade brasileira está diante de uma conjuntura política cujas características são de aniquilamento da possibilidade do seu desenvolvimento como nação autônoma e soberana, bem como de recrudescimento do autoritarismo, em processo de superação desde o fim dos 21 anos de ditadura militar. Sem reação popular, o governo Bolsonaro não vai retroceder nos seus planos de transformar este País em um continental entreposto comercial, especializado em produção de bens primários para enriquecimento e desenvolvimento de outros povos. É inacreditável não perceber reação dos brasileiros e dos paranaenses contra a sua própria destruição. As ruas clamam pela indignação da sociedade.

*Enio Verri é economista e professor licenciado do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Maringá e está deputado federal e líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados.