De olho no governo do PR, líder do PT na Câmara abre fogo em Ratinho Junior

O deputado Enio Verri (PT-PR), recém-empossado líder do PT na Câmara, de olho no governo do Paraná, reabre fogo em Ratinho Junior (PSD).

Para o líder petista, o atual governador desinveste na economia com isenções fiscais para os ricos e empobrece a população com os desserviços públicos.

Enio Verri pede uma reação da sociedade paranaense contra o visível empobrecimento econômico, político, social e cultural.

Leia a íntegra do texto:

O Paraná clama pelos paranaenses

Enio Verri*

É incrível o resultado de pesquisas de opinião pública segundo as quais o governador, Ratinho Júnior, tem mais de 70% de popularidade entre os paranaenses. Isso significa que, entre 100 paranaenses, 70 apoiam as políticas do governo do estado. Ocorre que, essa maioria não é homogênea no poder aquisitivo. Seguramente, o rendimento de 70% dessas pessoas está muito aquém dos que lucram com o apoio ao Ratinho. Segundo a pesquisa, o Paraná assistiu, satisfeito, em 2019, a sete despejos de acampamentos de trabalhadores rurais, produtivos, que movimentavam a economia municipal; uma desumana pressão sobre os Avá Guarani para desocuparem área originária; calote e repressão contra a população, que foi impedida pela tropa de choque da polícia militar de tentar defender uma previdência pública e superavitária.

Em 2020, o receituário não será diferente. O objetivo é aniquilar o Estado e, quando assim ele se encontrar, esses mesmos arautos do ultraliberalismo, depois de sugar até a última gota de lucro, dirão que não há como crescer sem investimento do Estado. Nesse sentido, Ratinho segue as ordens do Banco Mundial para o desmantelamento das ferramentas com as quais a sociedade paranaense pode se desenvolver. Ao mesmo tempo em que fecha turmas no horário noturno das escolas, por exemplo, Ratinho asfixia os sindicatos e inviabiliza a organização da classe trabalhadora. De um lado, o governador do estado do Paraná age deliberadamente para cercear o direito dos paranaenses pobres acessarem os bancos escolares, ferramentas basilares para a superação da condição social.

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Já no sentido de enfraquecer a luta de classes, exige de servidores a identificação como optantes, ou não, de sindicalização para efeitos de desconto na folha de pagamento. Essa medida serve para estigmatizar quem opta pela organização como única forma de enfrentar o sistema e para asfixiar os sindicatos. Gostaria muito de entender melhor o pensamento de quem apoia Ratinho. O governador desinveste na educação, promove a má formação do paranaense, que se perpetuará em soldado do eterno exército de mão de obra para serviços gerais. Júnior ingressa na história como aquele que ampliou, em gerações, a distância desses trabalhadores da possibilidade de ingressar nos estudos e transformar a sua realidade.

O Paraná é um dos estados mais desenvolvidos e ricos do Brasil e isso não se deve a outra coisa senão às inteligência e industriosidade de sua gente. Porém, está acontecendo um fenômeno capital. O Paraná e sua capacidade de investir estão sendo entregues ao capital financeiro. O governador concedeu, em 2019, R$ 10,5 bilhões de isenções fiscais. Servidores públicos, das mais diversas categorias, não têm seus vencimentos reajustados, desde 2016, com uma defasagem de 17%. Ratinho não honrou o pagamento do que é de direito, como deu apenas 2% a título de uma inflação, 2018-2019, que foi de 5%.

As universidades estão sendo sucateadas para abrir espaço ao assédio da iniciativa privada, que vai sequestrar o capital intelectual, científico e tecnológico de instituições que não apenas são referências nacionais, mas são de todos os paranaenses. Nesse sentido, é difícil compreender uma sociedade que não reage, que está sendo desmantelada cuja maioria ainda apoia o governo que a empobrece, econômica, política, social e culturalmente.

*Enio Verri é economista e professor licenciado do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e está deputado federal e líder da bancada do Partido dos Trabalhadores, na Câmara dos Deputados.