Revisionismo vence no PCdoB, que começa a esconder foice e martelo

O revisionismo venceu no PCdoB e o partido já começou a esconder a foice o martelo com vistas às eleições municipais deste ano.

O projeto piloto do “Movimento 65” pôde ser visto na prática no estado do Pará, onde o partido é presidido por Jorge Panzera.

Um vídeo institucional veiculado nas redes sociais há dez dias reduz o tradicional e carrancudo símbolo do PCdoB, a foice e martelo, que deram lugar a jovens rostos pintados de verde e amarelo.

“Comum, comunhão, coletivo, comunitário são sinônimos de ser comunista”, explica a publicidade da agremiação paraense. A foice e o martelo foram diminuídos a ponto de precisar de uma lupa para enxergá-los.

“Esse movimento tem o sentido de abrir a legenda partidária eleitoral para receber um conjunto de novas lideranças sociais, como empresários e religiosos, para que venham se eleger pela legenda 65. Esse é um movimento muito amplo”, disse na última quinta-feira (23) o vice-presidente nacional do PCdoB Walter Sorrentino.

Durante entrevista à rádio CBN Povo, de Fortaleza, o dirigente comunista revelou que o nome não é um princípio imutável para o PCdoB.

“Não temos porque esquecer nosso sentido de pertencimento, que ainda mantém o nome comunista, mas dependendo da evolução dos fatos, o nome não é um princípio imutável e pode se adequar à contemporaneidade”, disse na entrevista.

Uma fonte no PCdoB afirmou que essa reviravolta no partido tem o objetivo de salvar a legenda, que pode desaparecer se continuar apegada a dogmas do passado. “Há uma cláusula de barreira, que se não for ultrapassada o partido cai na clandestinidade”, observou.

O jornalista Ricardo Cappelli, uma espécie de “Steve Bannon” das esquerdas brasileiras e ligado ao governador do Maranhão Flávio Dino, defende abertamente tirar a foice e o martelo, bem como o vermelho e nome PCdoB da legenda.

“Negá-lo com a proclamação de arroubos dogmáticos é fugir da análise concreta da realidade objetiva”, escreveu Cappelli no último dia 6 no artigo “Adeus, Lênin“, perfilando-se aos Movimento 65 e Comuns –duas propostas de nome para o centenário PCdoB.

Objetivamente, as seccionais do PCdoB já começaram a esquecer a foice e martelo e a adotar o nome fantasia “Movimento 65”. Vide o caso do Pará.

Assista ao vídeo:

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