Lava Jato-RJ x Lava Jato-PR: cai a “Serra Pelada” das delações premiadas

A Serra Pelada é um garimpo no município de Curionópolis, no estado do Pará. A localidade ficou mundialmente conhecida nos anos de 1980 como o El Dorado para os aventureiros que desejavam enricar facilmente. É o maior garimpo de céu aberto do mundo.

Dito isto, o instituto da delação premiada deu ao Paraná a alcunha de a “Serra Pelada” para advogados de Curitiba. Muitos ganharam dinheiro, muito dinheiro, nesse garimpo chamado Lava Jato.

A presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), denunciou em sua coluna –neste Blog do Esmael– a existência de um ‘submundo das delações premiadas’ no âmbito da força-tarefa.

Em maio de 2018, a dirigente petista detalhou esse submundo das delações premiadas na Lava Jato e destacou o papel do advogado Figueiredo Basto no “concerto de delações” com o objetivo, segundo ela, de atingir adversários políticos do PSDB e em troca de propina. Acusado por delatores premiados, Figueiredo Basto disse na época que a palavra de delatores não deveria ser considerada.

“Seria a piada pronta, mas é o trágico retrato de um sistema judicial envenenado e partidarizado”, retrucara Gleisi.

Pois bem, a Lava Jato do Rio denunciou o ‘doleiro dos doleiros’ Dario Messer e mais dois advogados, dentre os quais Figueiredo Basto, por evasão de divisas e ocultação de conta no exterior.

Os dois advogados são sócios na capital paranaense e integram o chamado ecossistema “Serra Pelada” das delações premiadas.

Como sorte pouca é bobagem, o ‘doleiro dos doleiros’ se converteu em delator do MPF-RJ e delatou seus defensores, bem como entregou que um procurador da força-tarefa Lava Jato no Paraná recebeu propina gorda de Messer.

Resumo da ópera: não existe Lava Jato boa ou Lava Jato ruim. Todas elas, sejam do Rio ou do Paraná, são movidas por interesses políticos; as contradições entre elas é que trazem luz ao esquema das delações premiadas.

LEIA TAMBÉM
Gleisi diz que MPF abusa do poder para se vingar de Greenwald

Audiência de Moro no “Roda Viva” cai 60%

Vaza Jato: Dallagnol usou Antagonista para interferir no Banco do Brasil