França: Greves continuam e segue impasse sobre reforma da Previdência


O governo neoliberal de Emmanuel Macron afirmou nesta terça-feira (7) que manterá o seu projeto de reforma previdenciária com base em sua natureza universal e pontual, apesar da continuidade do vasto movimento grevista.

Após 34 dias de paralisações na empresa ferroviária estatal (SNFC), no transporte urbano em Paris (RATP) e três dias de greve geral, a oposição das organizações sindicais contra a reforma das aposentadorias forçou o governo a negociar com certas categorias profissionais para manter sistemas específicos de Previdência.

Controladores de tráfego aéreo, comissários de bordo, dançarinas da Ópera de Paris, caminhoneiros, pilotos, policiais e soldados praticamente conquistaram a manutenção de uma idade específica de aposentadoria. O que sinaliza um recuo de Macron.

Um dos principais argumentos do projeto governista, a anunciada universalidade do sistema, começa a desmoronar, apesar do presidente da República, Emmanuel Macron, mostrar um firme desejo de não criar nenhuma exceção à sua proposta.

‘Se eu começar a dizer que mantemos um regime especial para cada um, ele cairá como dominó’, declarou.

O novo Secretário de Estado das Pensões, Laurent Pietraszewski, disse, no entanto, que ‘a promessa de um plano universal será mantida’, considerando que as concessões concedidas são casos ‘extremamente limitados’, embora ele não quisesse avaliar as vantagens obtidas por pilotos ou a possibilidade de outros profissionais se juntarem à lista.

Esses acordos põem em questão a ‘universidade’ da lei, mas também o equilíbrio orçamentário da reforma, já que vários analistas valorizam o custo dessas ‘exceções’ que podem exceder o orçamento anual dos regimes que o governo tenta revogar.

As estimativas do jornal Le Parisien chegam a 10 ou 15 bilhões de euros por ano, enquanto o valor atual é de 9 bilhões de euros, e Le Figaro fala de ‘dezenas de bilhões de euros’, citando a um ‘ministro proeminente’ que demonstrou preocupação ao ver ‘como o nível sobe e me assusta’.

Há um ano, Macron anunciou um total de 17 bilhões de euros em corte de impostos para tentar acabar com a crise dos ‘coletes amarelos’, levantando críticas ao direito de expandir os gastos públicos sem ter recursos para isso.

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Nesta terça, o chefe do grupo parlamentar de Los Republicanos (LR), Christian Jacob, também exigiu do governo a retirada urgente do projeto de pensão, considerando que ‘essa reforma não é mais significativa’.

Até o presidente da maior organização empresarial do país (Medef), Geoffroy Roux de Bézieux, estava preocupado com os custos financeiros que a reforma poderia incorrer e pediu ao governo para colocar ‘todas as despesas em cima da mesa, e em particular aqueles que ele aceitou nas últimas semanas ‘.

Em sua corrida contra o tempo para tentar acabar com as greves que paralisam o país há mais de um mês, o primeiro-ministro Edouard Philippe parece disposto a se comprometer mesmo com a idade de aposentadoria, 64 anos, conforme exigido pelo maior sindicato da país, a Confederação Democrática Francesa do Trabalho(CFDT) e o Sindicato Nacional dos Sindicatos Autônomos (UNSA).

Equanto isso, A CGT e sindicatos filiados pedem a retirada completa da reforma e defendem o endurecimento dos protestos ao longo desta semana, com mais dois dias de greve geral – na próxima quinta (9) e sábado (11) -, três dias de greve nas refinarias do país (de terça a sexta-feira da semana que vem).

*As informações são de Prensa Latina (Antonio C.Marin)