EUA x Irã: Bolsonaro volta atrás e divulga nota sobre ataque no Iraque

Publicado em 3 janeiro, 2020

Ernesto Araújo-Bolsonaro
Foto: Sergio Lima
O governo do presidente Jair Bolsonaro emitiu comunicado na noite desta sexta-feira (3), acerca do ataque dos Estados Unidos no Iraque, visivelmente favorável à ação de seu colega Donald Trump, que resultou na morte do general Qassem Soleimani.

Sem citar expressamente o assassinato o mártir iraniano, Bolsonaro disse que “o governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo e reitera que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional sem que se busque qualquer justificativa ou relativização para o terrorismo.”

Não houve a condenação do assassinato do chefe da guarda revolucionária do Irã, por parte do Ministério das Relações Exteriores, responsável pela redação e publicação do comunicado às 19h57.

Mais cedo, Bolsonaro afirmara que o governo não comentaria a morte de general iraniano.

Porém, no começo desta noite, o Itamaraty não só classificou ação autorizada por Trump como necessária para combater o terrorismo como também se solidarizou aos EUA, que, segundo a nota, tiveram a Embaixada atacada em Bagdá.

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Leia a íntegra da nota oficial do Itamaraty:

Acontecimentos no Iraque e luta contra o terrorismo

Ao tomar conhecimento das ações conduzidas pelos EUA nos últimos dias no Iraque, o Governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo e reitera que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional sem que se busque qualquer justificativa ou relativização para o terrorismo.

O Brasil está igualmente pronto a participar de esforços internacionais que contribuam para evitar uma escalada de conflitos neste momento.

O terrorismo não pode ser considerado um problema restrito ao Oriente Médio e aos países desenvolvidos, e o Brasil não pode permanecer indiferente a essa ameaça, que afeta inclusive a América do Sul.

Diante dessa realidade, em 2019 o Brasil passou a participar em capacidade plena, e não mais apenas como observador, da Conferência Ministerial Hemisférica de Luta contra o Terrorismo, que terá nova sessão em 20 de janeiro em Bogotá.

O Brasil acompanha com atenção os desdobramentos da ação no Iraque, inclusive seu impacto sobre os preços do petróleo, e apela uma vez mais para a unidade de todas as nações contra o terrorismo em todas as suas formas.

O Brasil condena igualmente os ataques à Embaixada dos EUA em Bagdá, ocorridos nos últimos dias, e apela ao respeito da Convenção de Viena e à integridade dos agentes diplomáticos norte-americanos reconhecidos pelo governo do Iraque presentes naquele país.