A falta de saneamento no Brasil mata mais que o coronavírus na China

Publicado em 28 janeiro, 2020

O mês de janeiro de todos os anos é o que mês que se banaliza as mortes no Brasil pelas chuvas. Só em Minas Gerais, em 2020, 47 pessoas morreram pela previsível antecipação pluvial.

No estado do Espírito Santo, na mesma região Sudeste do País, outras 9 pessoas morreram em decorrência das chuvas.

Em comum, essas localidades enfrentam problemas de ocupação irregular do solo, ausência de política de habitação popular, falta de saneamento básico, que causam enchentes nas previsíveis chuvas de começo de ano. Portanto, o poder público tem o dever de agir para evitar essas perdas de vidas humanas.

Dito isto, a omissão estatal no Brasil mata mais que a epidemia do coronavírus na China.

Peguemos como exemplo o caso de Brumadinho, ocorrido em janeiro do ano passado, há um ano, quando o rompimento da barragem da Vale causou a morte de 259 pessoas (11 ainda estão desaparecidas).

Na China, fala-se em 106 mortos pelo coronavírus e 4,5 mil infectados.

Das 106 mortes, 100 foram registradas em Hubei, onde fica a cidade de Wuhan, considerada como epicentro da doença.

O poder público chinês colocou a cidade de 11,08 milhões de habitantes em quarentena, constrói em ritmo frenético (10 dias) dois hospitais especializado para 2 mil pacientes, fechou entradas e saídas, aeroportos, como medidas profiláticas.

E o que faz o governo do Brasil diante de tragédias anunciadas? Cruza os braços, corta recursos da saúde pública, omite-se criminosamente.

A tragédia de Brumadinho, há um ano, matou mais que o dobro do coronavírus na China. Lá, existe uma reação. Aqui, infelizmente, se banaliza as matanças.

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