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Moro pode deixar governo Bolsonaro até julho de 2020

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deu a senha ontem (26) à noite, durante a última live do ano, sobre o esgarçamento da relação com o ministro Sérgio Moro. “Que seja feliz”, disse, em tom de ‘liberação’ do titular da Justiça para deixar o cargo.

“O Moro tem um potencial enorme. Ele é adorado no Brasil. Pessoal fala que ele deve encarar como presidente. Se o Moro vier, que seja feliz, não tem problema, vai estar em boas mãos o Brasil”, passou recibo Bolsonaro.

O fato é que o núcleo duro da força-tarefa Lava Jato, que coordena a pré-campanha do ex-juiz, corrobora os números divulgados esta semana sobre a popularidade de Moro: em 1 ano, o ministro perdeu 23% de aprovação; se continuar no governo Bolsonaro, chegará na eleição de 2022 com popularidade negativa.

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Correligionários do ministro da Justiça se dividem em duas alas: 1- a que advoga a tese da saída imediata do governo, aproveitando a crise acerca do juiz das garantias; e 2- a que acredita ser possível conviver com Bolsonaro até julho de 2020, mais seis ou sete meses no cargo, portanto.

A questão central é que já são favas contadas a candidatura de Sérgio Moro ao Palácio do Planalto, em 2022. O presidente Jair Bolsonaro, incontinente, o trata como “inimigo” e alvo a ser abatido, sob pena de ser apeado do governo.

Bolsonaro também estuda a melhor maneira para se desvencilhar de Moro. Uma das estratégia seria amplificar a incompetência do ministro na Segurança Pública, área malvista pela população, sobretudo no combate à corrupção.

Durante este primeiro ano no governo, Sérgio Moro praticamente foi derrotado em todas as pautas que defendeu no governo e no Congresso Nacional. Ele foi esmagado por uma aliança tácita entre a esquerda e Bolsonaro. Vide o caso do juiz das garantias.