Bolsonaro e Moro ‘batem boca’ sobre ‘juiz de garantias’

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seu ministro da Justiça, Sérgio Moro, batem boca pelas redes sociais sobre a sanção do pacote anticrime que institui a figura do ‘juiz de garantias’ no processo penal brasileiro.

Na prática, o pacote anticrimes foi usado pelo Congresso Nacional e o presidente da República para conter crimes e abusos de autoridade de certos magistrados, a exemplo do próprio ex-juiz Moro, flagrado em conluio com a força-tarefa Lava Jato.

Moro foi às redes sociais nesta quarta-feira (25), no Natal, para contestar seu chefe, “o Senhor Presidente da República”, como costuma se referir a Bolsonaro.

“O Ministério da Justiça e Segurança Pública se posicionou pelo veto ao juiz de garantias, principalmente, porque não foi esclarecido como o instituto vai funcionar nas comarcas com apenas um juiz (40 por cento do total)”, afirmou em nota o ministro, como se sua pasta fosse uma ilha independente do governo.

Por sua vez, o presidente Jair Bolsonaro foi compelido a sair em defesa da sanção e da criação do ‘juiz de garantias’ no pacote anticrime. Ele disse teve de ceder ao Congresso Nacional ao menos uma vez.

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No final das contas, Moro saiu novamente derrotado pelos congressistas, só que agora com o aval do governo.

A temperatura entre Bolsonaro e Moro tende a aumentar bastante neste verão, haja vista que a disputa nos bastidores por 2022 já começou.

Sérgio Moro foi citado pelo jornal britânico Financial Times como uma das 50 personalidades na década, não é de somenos para uma campanha eleitoral voltada para atender aos fetiches da extrema-direita.

Sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa, como noticiou este blog, Bolsonaro perde o charme para unir os campos lavajatistas e bolsonaristas, se debilitando para a reeleição.

E é assim que termina o ano de 2019.