Bailarinas da Ópera de Paris em greve contra Macron e reforma da Previdência


As bailarinas da Ópera de Paris dançaram cenas do “Lago dos Cisnes” nesta terça-feira (24) para protestar contra o projeto do presidente Emmanuel Macron de reforma do sistema de aposentadorias na França. Apoiadas por músicos da Orquestra Sinfônica de Paris, as dançarinas apresentaram sua versão improvisada de 20 minutos diante de centenas de espectadores. Atrás delas, havia faixas onde se lia “Opera de Paris Greve” e “Cultura em perigo”.

As bailarinas da Ópera de Paris têm um plano de pensão personalizado que remonta ao século XVII. Inclui o direito de se aposentar com uma pensão completa aos 42 anos, duas décadas antes do trabalhador médio.

Elas perdem esses benefícios se Macron avançar com uma reforma planejada de um sistema de pensão complicado que, segundo ele, será mais justo, incentivar os trabalhadores a permanecer na força de trabalho até os 64 anos e equilibrar o orçamento da pensão.

“Começamos a dança clássica aos 8 anos. No final da adolescência, estamos sofrendo lesões recorrentes”, disse a bailarina Heloise Jocqueviel. “Depois de completar 42 anos, você já está sofrendo de artrite, fraturas por estresse, hérnias e, em alguns casos, quadris de titânio.”

“É difícil manter um nível de excelência até 42, mas 64 parece impossível.”

As dançarinas estão em greve ao lado de outros trabalhadores do setor público, incluindo artistas da Comédie-Française, desde 5 de dezembro. Dezenas de shows foram cancelados.

As greves causaram caos nas viagens, forçaram o fechamento de escolas e provocaram o fechamento das refinarias. Macron e seu governo se recusam a recuar, mas retomarão as negociações com os sindicatos no início de janeiro.

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“É importante defender a qualidade da Ópera de Paris”, disse Jacques Peigne, pai de uma bailarina da casa de ópera. “É óbvio que elas não conseguem dançar com mais de 42 anos.”

*Da Reuters – Reportagem de Lucien Libert e Pascal Antoniea

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