Lava Jato do Peru pediu para delator mentir em delação premiada, revela Intercept

Publicado em 3 novembro, 2019
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Arte: Ojo Público/Peru.
O site The Intercept Brasil traz uma bomba do “Peru” neste domingo (3) acerca da força-tarefa no país andino, batizada lá como Equipo Especial –equivalente à Lava Jato no Brasil.

Segundo reportagem da #VazaJato, em conjunto com o jornal peruano OjoPúblico, o procurador David Castillo, do Ministério Público local, pede para que um investigado minta para incriminar o ex-presidente da República Ollanta Humala.

“O que o senhor vai nos dizer precisa ter concordância com a tese da procuradoria”, deixa claro o procurado ao candidato à delação Martín Belaunde Lossio, marqueteiro e operador político do ex-presidente Humala.

O Intercept afirma que recebeu arquivos de áudio em que Belaunde, preso, revela que o procurador do MP lhe pediu para mentir e dizer que não sabia de uma alegada doação eleitoral de 400 mil dólares da Odebrecht a Humala porque o ex-diretor da construtora, Jorge Barata, havia negado ter feito o pagamento.

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No áudio, o “candidato” à delação na Lava Jato peruana concorda em mentir para agradar o procurador: “Se for útil para o senhor, nós incluímos. Se não for útil, é como se não existisse”.

A proposta de delação premiada é avaliada pelo juiz Richard Concepción Carhuancho, o Sergio Moro peruano, explicam Intecept e Ojo Público.

A perseguição política no Peru não se dá apenas contra Humala. Outros presidentes da República também sofrem a criminalização.

Em abril deste ano, por exemplo, o ex-presidente Alan Garcia deu um tiro na própria cabeça antes de ser preso sob a acusação de receber propina da Odebrecht.

A #VazaJato peruana tem 12 horas de conversas, bem menos que sua homóloga brasileira. Aqui nestas plagas, o Intercept afirma que possuiu mais de 3 mil arquivos que ainda estão sendo apurados cuidadosamente.

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