A apologia ao crime e a estética miliciana do clã Bolsonaro, por Milton Alves

Publicado em 22 novembro, 2019
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A apologia ao crime e o culto às armas integram o ideário político e a estética miliciana e neofascista do clã Bolsonaro. Dois episódios nesta semana ilustram a demência criminal do bolsonarismo: a condecoração com a medalha do Mérito Legislativo ao empresário Gustavo Corrêa, cunhado da apresentadora Ana Hickmann, e a exibição de uma placa de cartuchos de balas durante o lançamento do partido Aliança pelo Brasil.

O primeiro episódio ocorreu na Câmara de Deputados, na quarta-feira (20), com a entrega da medalha do Mérito Legislativo ao empresário Gustavo Corrêa por indicação do deputado Eduardo Bolsonaro.

O grande mérito do cunhado da apresentadora Ana Hickmann para receber a honraria foi ter executado com três tiros na nuca um assaltante. O crime aconteceu em 2016 e, em setembro deste ano, o empresário acabou sendo absolvido na Justiça de Minas Gerais.

“O caso de Gustavo é exemplo claro da injustiça que o excesso de legítima defesa leva àqueles que reagem a crimes, fato rotineiro na vida policial”, escreveu Eduardo Bolsonaro numa rede social, justificando o ato do condecorado homicida.

O caso é usado como um exemplo positivo na nefasta e enganadora campanha a favor do “pacote anticrime” emulada pelo ministro da Justiça Sergio Moro, que defende o fim da aplicação de pena em caso de uma pessoa ou agente do estado reagir “sob medo, surpresa ou violenta emoção”. Uma verdadeira licença para matar!

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O segundo episódio aconteceu nesta quinta-feira (21) durante o lançamento do partido neofascista comandado pelo presidente Jair Bolsonaro. Um artesão exibiu durante o encontro uma placa feita de cartuchos de balas com o símbolo e o nome da nova legenda. Uma exaltação explícita da estética miliciana e criminosa do clã Bolsonaro. Uma tradução chocante e grotesca do programa da sigla bolsonarista.

No evento, foi divulgado o manifesto da “Aliança pelo Brasil” que faz um apelo aberto ao neofascismo à moda brasileira, uma mistura de ultraliberalismo econômico com o fundamentalismo picareta dos chefes neopentecostais, acompanhado também do lumpesinato parlamentar nascido no WhatsApp, do moralismo farsante da Lava Jato e mais as gangues milicianas espalhadas pelo país.

O neofascismo apresenta as suas armas e merece uma combativa resposta política, cultural e organizativa das forças democráticas e de esquerda no Brasil.

*Milton Alves é ativista social e militante do PT de Curitiba. Autor do livro ‘A Política Além da Notícia e a Guerra Declarada Contra Lula e o PT.

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