Lava Jato blindou Temer e ajudou a consumar o golpe de 2016, apontam conversas vazadas

Publicado em 18 outubro, 2019
Compartilhe agora!

Diálogos entre procuradores da Lava Jato obtidos pelo Intercept e publicados em parceria com El País mostram a participação da força-tarefa no golpe de 2016. Duas semanas antes do afastamento de Dilma, os procuradores receberam um “anexo-bomba” com uma delação que incriminava Temer.

Mas ele preferiram recusar as informações alegando que não estariam de acordo com o “interesse público”. Que era na verdade o interesse deles em derrubar a presidenta Dilma e encerrar o ciclo de 14 anos de governo do PT.

Segundo El País, a delação que foi rejeitada em abril 2016 com anuência do Procuradoria Geral, foi a mesma que levou Michel Temer à prisão em março de 2019. Ela foi feita pelo empresário José Antunes Sobrinho, sócio da construtora Engevix, relatando pagamento de propina para Temer.

LEIA TAMBÉM
Frota diz que vai apresentar pedido de impeachment de Bolsonaro

Prisão em 2ª instância vai tombar por 7 votos a 4, prevê Marco Aurélio

O Brasil na encruzilhada entre o fascismo, a ditadura e a democracia

O procurador Athayde Ribeiro escreveu no Telegram num grupo chamado “Acordos Engevix” entre os procuradores de Brasília (BSB), Rio e Curitiba (CWB) o que segue:

“Pessoal de BSB e Lauro, o Antunes apresentou, neste momento, mais 2 anexos. Eles estão forçando a barra aqui. Informo que a opinião de CWB é contrária ao acordo”.

Acontece que o acordo e a divulgação das maracutaias de Temer poderiam melar todo o processo de Impeachment que corria a todo vapor no Congresso.

Questionada pelo El País, a Lava Jato emitiu uma nota em que afirma:

“Em relação ao caso que é objeto de questionamento, houve consenso entre mais de 20 procuradores no sentido de que o acordo não atendia o interesse público.”

Ou seja, os procuradores não decidem pelo critério da legalidade, mas pelo “interesse público”… deles.

Com informações do El País.

Compartilhe agora!