Haddad: “País só vai ter paz o dia em que o Lula subir a rampa do Planalto”

Publicado em 23 outubro, 2019
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Em entrevista à Folha de S. Paulo e ao UOL publicada nesta quarta-feira (23), o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad fez declarações sobre a prisão política de Lula, as futuras eleições municipais de 2020 e o desgoverno Bolsonaro. Para o ex-ministro da Educação, o julgamento da suspeição do ex-juiz Sergio Moro tem mais relevância para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva do que a decisão sobre prisões em segunda instância, que o STF retomou nesta quarta (23).

Questionado sobre a possibilidade da anulação da sentença de Lula, no caso da suspeição do ex-juiz Sergio Moro, Haddad manifestou ter esperança de que a verdade prevalecerá. “Gostaria de ver Lula Livre e com seus direitos políticos assegurados. É o que todos nós desejamos. Se você perguntar o que eu gostaria, eu disse na campanha de 2018: este país só vai encontrar paz o dia em que o Lula subir a rampa do Planalto”.

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O ex-prefeito de São Paulo acrescentou que razões para isso não faltam. “Foi tudo muito meticulosamente construído pelo próprio juiz. Se isso não for razão para declarar a suspeição, eu diria que nenhum juiz vai ser declarado suspeito nunca mais”.

Já sobre a eleição municipal de 2020 e a oportunidade da esquerda se posicionar, Haddad ressaltou que é natural que os partidos queiram lançar seus próprios nomes. “É natural que os partidos ajam, em primeiro lugar, olhando para a sua sobrevivência, para a cláusula de barreira, para o lançamento de novos nomes. Ninguém pode pedir para esses cinco partidos — PDT, PSB, PC do B, PSOL e PT— que abram mão imediatamente [de lançar seus candidatos].”

Especificamente sobre sua candidatura, o professor e ex-ministro da Educação fez uma comparação com o futebol para demonstrar seu posicionamento no momento. “Se vou ser o artilheiro, o zagueiro, o capitão do time, o técnico, vamos ver, mas pertenço a um time que quer mudar o Brasil para melhor, que quer enfrentar a desigualdade, que quer oferecer oportunidade, que quer ver o Brasil se aproximar das grandes potências, que quer que o Brasil tenha voz no cenário internacional.”

Bolsonaro é a própria crise
Ao longo da entrevista, Haddad também comentou o desgoverno de Jair Bolsonaro (PSL) e a confusão causada dentro do PSL nos últimos dias. “Bolsonaro é, ele próprio, uma crise. Ele se alimenta dela. É impossível imaginar um governo Bolsonaro que aposta na estabilidade. Ele vive dessa instabilidade porque é uma maneira de ele preencher o espaço vazio da chefia do Estado. É quase uma necessidade espiritual e psicológica.”

“Foi para baixo do guarda-chuva do Bolsonaro uma porção de perspectivas que não encontravam uma expressão política. A bancada do PSL é isso, é esse samba que ninguém entende, de desafinação. Não existe ali um partido propriamente”, criticou.

Confira a entrevista na íntegra:

Por Agência PT de Notícias

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