Gleisi: Bolsonaro exterminou o aumento no salário mínimo

Publicado em 13 outubro, 2019
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A deputada Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT, escreve neste domingo (13) que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) cometeu na semana passada a maior perversidade com a maioria pobre do povo brasileiro: não dar reajuste real ao salário mínimo.

Leia a íntegra da coluna de Gleisi Hoffmann:

Política cruel e estúpida de Bolsonaro tira valor do salário mínimo

Gleisi Hoffmann*

Bolsonaro fez campanha prometendo que melhoraria a vida do povo. É certo que não disse como faria, já que não apresentou nenhum plano para o desenvolvimento econômico e social do país, não foi a nenhum debate, não fez compromissos com os eleitores.

Talvez seja exatamente por isso, e por ter delegado sua política econômica ao ultraliberal Paulo Guedes, que ele patrocinou na semana passada a grande perversidade com a maioria pobre do povo brasileiro: não dar reajuste real ao salário mínimo.

O Congresso Nacional aprovou a proposta de Bolsonaro de reajuste do salário mínimo para 2020 apenas pela variação da inflação (4,1%). Essa decisão retira renda do povo, ja tão sofrido pela crise econômica que eles aprofundaram depois do golpe contra Dilma.

Hoje, 48 milhões de brasileiros têm seus ganhos com referência no salário mínimo, seja por receberem aposentadorias e outros benéficos do governo, seja por receberem no mercado de trabalho.

O valor previsto para o salário mínimo para 2020 ficou em R$ 1.039,00. Caso vigorasse a política de valorização do salário praticada por Lula e Dilma, o valor seria de R$ 1.050,00, pois seria acrescido mais 1,1% de aumento real, que foi o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2017.

Sem esse ganho real, o trabalhador perde R$ 11,00 por mês e R$ 146,00 por ano, considerando 13 salários + 1/3 de férias. E a economia brasileira perde R$ 7 bilhões no ano de 2020, considerando o total de trabalhadores que ganham com referência no mínimo.

Além de cruel com as pessoas, esta é uma economia estúpida para o governo, já que este valor, R$ 7 bilhões, deixará de circular, contribuindo para manter a estagnação econômica do país, que está em crise em função da baixa demanda das famílias.

Esta decisão de tirar o ganho real do salário mínimo vai gerar uma economia para o Governo Federal, no ano que vem, de apenas R$ 3,3 bilhões com o pagamento dos benefícios previdenciários pelo INSS, num orçamento total de R$ 3,8 trilhões. O restante do impacto seria de responsabilidade do setor privado.

Quando Lula foi eleito presidente ele iniciou uma política de valorização do mínimo, dando todos os anos reajuste real, acima da inflação, para aumentar o poder de compra das pessoas, que passaram a consumir mais e, com isso, aumentar o recolhimento de impostos para o governo, ajudando as contas públicas.

Nos governos do PT houve 77% de reajuste real do salário mínimo, o que proporcionou aos trabalhadores viverem melhor. Foi com esta política e com forte geração de empregos que milhões de pessoas saíram da extrema pobreza no Brasil.

O povo está sentindo a diferença na vida que tinha no governo Lula e que tem no governo Bolsonaro. Hoje vai ao supermercado e não consegue encher metade do carrinho de compras. Naquela época, saía com o carrinho cheio.

Essa política econômica de Bolsonaro/Guedes está fazendo o país empobrecer. Cortes e mais cortes no orçamento, que recaem sobre os mais pobres, não estão resolvendo a crise da economia. Se resolvessem, a dívida pública bruta do país não tinha saltado de 68% do PIB em 2016 para 79% este ano. Estamos caminhando a passos largos para o que vive a economia Argentina. Só espero que andemos também para seu rumo político.

*Gleisi Hoffmann é deputada federal pelo Paraná e presidenta do PT

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