Enio Verri: Ratinho massacra, mas o povo permanece em silêncio

Publicado em 8 outubro, 2019
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O deputado Enio Verri (PT-PR) vê com estranheza perturbadora o silêncio do povo diante do massacre perpetrado pelo governador Ratinho Junior (PSD) contra os direitos dos trabalhadores e patrimônios dos paranaenses.

“O passageiro governador prepara o terreno para privatizar a empresa Copel-Telecom, não apenas se desfazendo de um patrimônio estadual, mas por meio de um arrocho sobre os servidores”, denuncia o parlamentar petista.

Segundo Verri, a privatização da Copel pretendida por Ratinho significará a redução da capacidade contributiva da classe trabalhadora e menos consumo das famílias.

“Consequência lógica, o comércio venderá menos, contratará menos e recolherá menos impostos ao Estado”, ensina o articulista.

Leia a íntegra do artigo:

Diz-me para quem governas e te direi para quem o fazes

Enio Verri*

Há alguma coisa na água do Paraná. O governador, Carlos Massa Ratinho Júnior, está massacrando direitos da classe trabalhadora e entregando o patrimônio paranaense. Porém, as ruas dos 399 municípios do estado estão em absoluto silêncio. O passageiro governador prepara o terreno para privatizar a empresa Copel-Telecom, não apenas se desfazendo de um patrimônio estadual, mas por meio de um arrocho sobre os servidores. Ratinho vai entregar uma empresa cujo lucro, no segundo semestre de 2019 é de R$ 947 milhões. Em 2018, o lucro foi de R$ 1,4 bilhão, cerca de 30% a mais que em 2017. Segundo relatórios da Copel, ela tem R$ 1,9 bilhão para investir, em 2019, que deveria ser direcionado para a ampliação, fortalecimento, modernização da empresa e para garantir acesso à energia elétrica para todo o conjunto da sociedade. Esse é um dos papéis das estatais, chegar onde mercado privado não vai. Por isso, o Estado é o grande indutor do desenvolvimento.

Júnior vai entregar uma empresa de todos os paranaenses para o mercado financeiro, que lida com papéis. O objetivo máximo de um banco é o lucro. Nesse sentido, para maximizá-los, os banqueiros promoverão um enxugamento máximo de servidores, mantendo apenas os extremamente necessários para manter o serviço funcionando e realizar uma cobrança eficaz. O formato está em andamento, pelo governo. Ele precisa retirar direitos dos trabalhadores, torná-los mais baratos e produzir insegurança empregatícia, para tornar a empresa mais atraente para os tais investidores de bolsa de valores. Duas das propostas são para suprimir o abono salarial e o 1/3 de férias, conquistas de décadas de luta dos trabalhadores. Ratinho oferece o pagamento, agora, do que cada servidor teria, proporcionalmente, e extinguir os direitos. O governo estadual é caixa de ressonância das políticas ultraliberais em busca de um mitológico Estado Mínimo, que não funcionou nas economias mais desenvolvidas do mundo. Segundo estudo do Transtional institute (TNI) Alemanha, França, EUA, Reino Unido e Espanha realizaram, respectivamente, 348, 152, 67, 65 e 56 reestatizações, porque os serviços privados são muito ruins.

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O governador não será demovido de suas intenções de vilipendiar a classe trabalhadora e de entregar o patrimônio público, com explicações técnicas. Júnior já as tem, mas elas não interessam ao mercado financeiro, para quem ele governa. Somente com as ruas apinhadas de gente é que pode sensibiliza-lo de desistir desse sucateamento do Estado. Motivos não faltam para a população chamar a atenção, em alto bom som, para avisar-lhe de que a sociedade está atenta, tanto aos seus direitos fundamentais, conquistados com muita luta, quanto à importância das empresas públicas para construir um estado desenvolvido. O governador sabe que, a cada R$ 1,00 investido em uma empresa pública local, são injetados R$ 4,00 no comércio local. Porém, esses dados atrapalham o governo, para aquilo o que ele pretende, porque é de sua ideologia liberal e privatista. Deve ser estranho para um paranaense lembrar que o governador em que ele votou atua para deixar o Estado mais fraco, sem ferramentas com as quais pode induzir o desenvolvimento e os paranaenses sem perspectivas de trabalho e de desenvolvimento para seus filhos, como escolas e emprego.

A entrega do patrimônio público e a supressão de direitos capitais, como as políticas do atual governo, é um verdadeiro desastre para o conjunto da sociedade. A partir da privatização, a empresa se reduzirá, fechando escritórios em pequenas localidades, transformando-se em atendimento call center, que deverá remeter os chamados a uma central de um município maior, ou de localização estratégica, onde se concentrará a estrutura de manutenção. Enfim, será o sucateamento de uma empresa construída por gerações de paranaenses, que terão um serviço cada vez pior. No mesmo sentido, o de produzir um pantanoso Estado Mínimo, o governo pretende reduzir a capacidade contributiva da classe trabalhadora. Apesar de o governador estar muito bem informado, a ele não interessa que, com menos dinheiro, a classe trabalhadora consumirá menos.

Consequência lógica, o comércio venderá menos, contratará menos e recolherá menos impostos ao Estado. O estarrecedor é que o governador tem conhecimento de tudo isso, mas não dá sinais de mudar de rota. Os paranaenses devem se perguntar e, também ao governador, para quem ele governa. Suas políticas, definitivamente não conduzem o Paraná pelo caminho dos desenvolvimentos econômico, social e político. Em seguida à resposta da reflexão, colar nos sindicatos, nos partidos e ganhar as ruas.

*Enio Verri é economista, professor licenciado do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e está deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores do estado do Paraná.

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