Líder do governo a Bolsonaro: ou eu [Bezerra Coelho] ou ele [Sérgio Moro]

Publicado em 20 setembro, 2019
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O presidente Jair Bolsonaro (PSL) acabou o dia de ontem (quinta-feira, 19) emparedado por seu líder no Senado, o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), que abriu o impasse: ‘ou eu fico na liderança com o apoio do Capitão, ou fica o Senhor ministro da Justiça, Sérgio Moro, perseguindo e ameaça as autoridades da República.’

Pode não ter sido exatamente nesses termos a ríspida conversa, mas é esse o clima estabelecido entre executivo e legislativo após a ação política da Lava Jato em cima do Congresso Nacional.

Bezerra Coelho, que teve devassado seu gabinete e outros endereços em Pernambuco, colocou à disposição seu cargo para o presidente Bolsonaro que, até agora, não se solidarizou publicamente com seu líder no Senado.

À boca pequena, como registrou o Blog do Esmael, Bolsonaro exigiu explicações de Moro, mas não tomou a drástica medida que seria a demissão sumária do ministro da Justiça. A Polícia Federal é subordinada ao ex-juiz da Lava Jato.

Por outro lado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), anunciou que irá ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a intimidação da Casa. Diz ele, em socorro ao senador Fernando Bezerra Coelho, líder do governo, que se tratou de uma ação política.

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O presidente do Senado se queixou que a operação da Lava Jato, autorizada pelo ministro do Supremo Luís Roberto Barroso, não tinha a anuência da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Barroso é amigo do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa em Curitiba, que está “ferido” pelas reportagens da Vaza Jato.

Davi Alcolumbre vê a operação da PF como ‘grave’ e ‘drástica interferência’ porque os motivos alegados na decisão judicial estariam entre os anos 2012 e 2014, portanto não se justificando a busca e a apreensão ocorrida hoje no Senado. Ou seja, pelo lapso temporal, teria dado tempo de Bezerra Coelho ocultar supostas provas mais de um milhão de vezes.

“A determinação da busca e apreensão tem, ainda, o potencial de atingir o Poder Executivo, na medida em que também foi realizada no gabinete parlamentar destinado ao Líder do Governo Federal no Senado”, diz uma nota divulgada pelo presidente do Senado.

O senador Bezerra, por seu turno, disse que foi vítima de perseguição política do ministro Sérgio Moro. Segundo o líder do governo, sua posição em defesa de garantias fundamentais incomoda o ex-juiz da Lava Jato.

‘Ou eu ou ele’, teria frisado o líder governista, porém Bolsonaro tem dificuldades em fazer uma opção.

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