Lava Jato usou e abusou de provas ilícitas para prender e intimidar suspeitos

Uma nova reportagem da série Vaza Jato, do portal Intercept em parceria com o UOL, mostra que os procuradores da Lava Jato usaram e abusaram de provas ilícitas. Segundo mensagens, muitas provas vieram da Suíça e de Mônaco e foram usadas para forçar delações intimidando os acusados presos preventivamente.

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Confiram uma mensagem enviada por Deltan Dallagnol ainda em 2015:

“Caros, sigilo total, mesmo internamente. Não comentem nem aqui dentro: Suíços vêm para cá semana que vem. Estarão entre 1 e 4 de dezembro, reunindo-se conosco, no prédio da frente. Nem imprensa nem ninguém externo deve saber. Orlando estará com eles todo tempo, assim como eu (que estarei fora na quarta). Vejam o que precisam da Suíça e fiquem à vontade para irem a qq tempo, ficarem nas reuniões todo o tempo que quiserem”

A necessidade do sigilo era porque os suíços estavam se reunindo com os procuradores “por fora” dos processos. Sem registro nos canais oficiais. Isso torna as provas obtidas nesses encontros totalmente ilegais.

No ano anterior, também houve transmissão de documentos de maneira irregular. Dallagnol trouxe da Suíça, sem registro oficial, um pen drive com informações bancárias de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras e um dos primeiros delatores importantes da operação.

Esses registros, corroborados pela delação de Costa, incluíam elementos essenciais para que a Lava Jato abrisse uma linha de investigação sobre a Odebrecht.

Meses depois, a Lava Jato pediu ao Ministério Público Federal alteração de documento para atribuir a remessa do pen drive a canal oficial com a Suíça, simulando que as informações tiveram origem legal.

Mas, finalmente, a bandalheira “jurídica” ruiu e veio à tona.

Com informações do UOL.