Lava Jato planejou buscar na Suíça provas contra o ministro Gilmar Mendes

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Reportagem publicada hoje (6) pelo site El País, em parceria com o The Intercept Brasil, mostra que procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato se mobilizaram para investigar o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com o objetivo de pedir sua suspeição e até seu impeachment.

Liderados por Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa, procuradores e assistentes se mobilizaram para apurar decisões e acórdãos do magistrado para embasar sua ofensiva, mas foram ainda além. Planejaram acionar investigadores na Suíça para tentar reunir munição contra o ministro, ainda que buscar apurar fatos ligados a um integrante da Corte superior extrapolasse suas competências constitucionais.

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A estratégia contra Gilmar Mendes foi discutida ao longo de meses em conversas de membros da força-tarefa pelo aplicativo Telegram enviadas ao The Intercept por uma fonte anônima e analisadas em conjunto com o EL PAÍS.

Era 19 de fevereiro deste ano e se discutia no grupo denominado Filhos do Januário 4 uma possível ligação entre Gilmar Mendes e Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, preso em Curitiba, apontado como operador financeiro do PSDB.

Gente essa história do Gilmar hoje!! (…) “Justo hoje!!! (…) “Que Paulo Preto foi preso”, começa Dallagnol.

“Vai que tem um para o Gilmar…hehehe”, diz o procurador Roberson Pozzobon no grupo do Telegram. Os procuradores acreditavam na possibilidade de que o magistrado, que já havia concedido dois habeas corpus em favor de Paulo Preto, aparecesse como beneficiário de contas e cartões que o tucano mantinha na Suíça. “vc estara investigando ministro do supremo, robinho.. nao pode”, responde o procurador Athayde Ribeiro da Costa. “Ahhhaha”, escreve Pozzobon. “Não que estejamos procurando”, diz. “Mas vaaaai que.”

Em seguida, Dallagnol ressalta que o pedido à Suíça deveria ter um enfoque específico: “hummm acho que vale falar com os suíços sobre estratégia e eventualmente aditar pra pedir esse cartão em específico e outros vinculados à mesma conta”, diz em uma mensagem. “Talvez vejam lá como algo separado da conta e por isso não veio” (…) “Afinal diz respeito a OUTRA pessoa”.

As informações são do EL PAÍS.