Por Esmael Morais

Deltan Dallagnol chefiava facção de milícia digital, revela Intercept

Publicado em 12/08/2019

A 15ª reportagem do site The Intercept Brasil nesta segunda-feira (12) traz nova materialidade às atividades ilegais do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa Lava Jato em Curitiba.

De acordo com a matéria pelos repórteres Rafael Neves e Rafael Moro Martins, do Intercept, Deltan usou dois movimentos de extrema-direita –o Instituto Mude — Chega de Corrupção e Vem Pra Rua– como laranjas para atingir seus objetivos pessoais e políticos. Também faz parte do “pomar” da Lava Jato o Observatório Social, com sede em Curitiba.

Mensagens no Telegram revelam que Deltan pautava atos públicos, publicações em redes sociais e manifestações dos movimentos de forma oculta, tomando cuidados para não ser vinculado publicamente a eles. Ou seja, o procurador agia como chefete de facção de uma milícia digital haja vista que esses grupos existiam basicamente nas redes sociais.

LEIA TAMBÉM
Supremo se prepara julgar falta de imparcialidade de Moro e soltura de Lula

Esquerda vence eleição primária na Argentina

Deltan é de direita, Bolsonaro!

O Intercept mostra que Deltan militou pela escolha do novo relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal apenas um dia após a morte do ministro Teori Zavascki. O coordenador força-tarefa atuou pela rejeição dos nomes de Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e do atual presidente da Corte, Dias Toffoli, para a relatoria das ações da operação.

Nem o ministro Alexandre de Moraes escapou das estripulias de Deltan Dallagnol, segundo os diálogos da #VazaJato. Temia-se que o sucessor Zavascki no STF fosse contra o cumprimento antecipado da pena. Então, o procurador usava os “movimentos sociais” laranjas para escrachar, pressionar e influenciar ministros nas decisões do Supremo, orientando e executando atos conjuntamente com milícias digitais.

A movimentação de Deltan foi para pressionar o Supremo e manter a prisão em segunda instância, qual seja, prender o ex-presidente Lula após a confirmação da sentença no caso tríplex do Guarujá (SP). “Tenho que ficar na sombra e aderir lá pelo segundo dia”, afirmou numa das conversas o procurador da Lava Jato.