Professores de Direita criam entidade para combater ‘marxismo cultural’

Professores identificados com a ideologia de Direita de todo o país organizam o movimento Docentes pela Liberdade (DPL) para combater a influência política da esquerda nas universidades e escolas. Nesta quarta-feira (3), em Londrina (PR) e em ao menos oito cidades na quinta (4) o movimento será lançando oficialmente. O grupo tem forte vinculação com a defesa do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Há programação também em Brasília, Porto Alegre, Aracaju, Recife, Cuiabá, Montes Claros (MG), Viçosa (MG), Campinas (SP); em alguns outros locais, como Vitória, Rio Branco, Palmas e Natal, haverá encontros informais e jantares.

Idealizador do grupo, Marcelo Hermes-Lima, biólogo e professor da UnB, diz que não se trata propriamente de um grupo de direita, mas pela liberdade. “O termo direita tem uma conotação ruim porque exclui quem é de centro”, diz. Suas críticas à pesquisa e à educação no país, cujas falhas atribui em grande parte aos governos Lula e Dilma, e seu apoio público ao novo governo nas redes sociais o tornaram uma espécie de celebridade no meio direitista.

Rafael de Menezes, professor de direito civil da Universidade Católica de Pernambuco e juiz da 8ª Vara Cível de Recife, diz que o compromisso do DPL é “com a verdade, com o respeito às opiniões e com a valorização da família, do comércio, da liberdade de empreender e dos valores conservadores que nos trouxeram [a humanidade] até aqui”, diz. “Estamos entusiasmados com o novo governo e podemos mostrar que não há só esquerda na universidade. Professores de direita, conservadores e liberais também têm seu espaço, e o grupo quer mostrar isso.”

Laércio Dias, professor de antropologia no campus de Marília (interior de São Paulo) da Unesp, diz que os DPL se sentem bastante incomodados com a hegemonia ideológica de esquerda, principalmente nas áreas de humanas. O antropólogo espera que o grupo ajude a aumentar a diversidade de ideias não apenas no campo da esquerda. Dentro da antropologia, exemplifica, há uma espécie de trindade maldita composta de estudos de raça, classe e gênero. “Existe uma concentração grande de abordagens dentro desse espectro. É preciso restituir a finalidade última da universidade que é a produção de conhecimento, e não usar a academia como um braço político-ideológico.”

Denise Carreira, doutora em educação pela USP e coordenadora da ONG Ação Educativa, diz que reconhece o direito de o grupo se organizar, mas que se preocupa com uma das pautas defendidas individualmente por alguns participantes do grupo, o Escola Sem Partido, iniciativa que, segundo ela, é cerceadora do debate público. “A gente pode ler essa situação como um grupo que retoma agendas tradicionais, elitistas, ligadas à meritocracia e em reação às conquistas de democratização das universidades. Será que essa associação vai defender as instituições de ensino? Será que vão lutar por mais dinheiro para a educação e para a ciência e tecnologia?”

O movimento não esconde afinidades com o pensamento do jornalista Olavo de Carvalho, guru da família Bolsonaro.

*Com informações da Folha de São Paulo