Por Esmael Morais

Moro era mais útil à velha mídia na Lava Jato

Publicado em 07/07/2019

O advento da Lava Jato, em 2014, coincidiu com o avanço do jornalismo online –em detrimento do offline, no papel— e o consequente barateamento da produção de conteúdo na velha mídia.

A pirotecnia com que agiam o ex-juiz Sérgio Moro e os procuradores da força-tarefa, estes subserviência ao primeiro e o ex-juiz provavelmente aos Estados Unidos, como denotam as mensagens vazadas pelo Intercept, mostra porque eles quase sempre atuavam no limite da irresponsabilidade funcional.

Pois bem, esse material da “República de Curitiba” servia como matéria prima para o jornalismo chinfrim da dita grande mídia. As redações de Norte a Sul do Brasil tinham apenas o esforço de copiar e colar (Crtl C + Ctrl V) acriticamente tudo –exatamente tudo— que os “mocinhos” escreviam contra os “bandidos” escolhidos a dedo para esse papel.

Agora Moro não é mais juiz. Virou político. Perdeu a função de “editor-chefe” nas principais redações do País. Transformou-se em vidraça tal qual previra o ex-presidente Lula: “Prepare-se, os ataques [da mídia] ao senhor serão muito mais fortes”, avisou o petista durante depoimento no caso do tríplex, em 10 de maio de 2017.

LEIA TAMBÉM
Lava Jato vazou dados contra Maduro na Venezuela

Dito isso, Moro não é mais útil à velha mídia e os demais integrantes da força-tarefa não têm o mesmo “elã” para transgredir as leis –sempre em nome do combate ao mal maior, é claro— e promover seletivos vazamentos contra adversários políticos e ideológicos.

As mensagens divulgadas pela série do Intercept deixam claro que os métodos criminosos do ex-juiz não eram consenso na força-tarefa. Diziam, inclusive, que Moro era “inquisitório” quando a Constituição determina que o julgador seja “acusatório”, ou seja, não tome parte para enfraquecer a defesa. A falta de imparcialidade do juiz causa nulidade absoluta da sentença, determina a lei pátria.

O site Intercept, do jornalista Glenn Greenwald, diz possuir 1 milhão de mensagens trocadas no Telegram entre os membros da força-tarefa Lava Jato. Só de áudios são cerca de 2 mil, quase prontos para serem divulgados. Provavelmente irão expor as vísceras da indústria das delações premiadas.

Quando os ‘diálogos vivos’ vierem à tona, o Intercept dará início ao descortinamento de uma velha máxima do chanceler alemão Otto von Bismarck que podemos adaptá-las nesses tempos de Lava Jato e vazamentos: “As delações premiadas são como salsichas. É melhor não ver como elas são feitas.”