Liberdade de imprensa: imagina se o COAF estive subordinado a Moro…

Publicado em 3 julho, 2019

A determinação pelo ministro da Justiça Sérgio Moro para que a Polícia Federal investigue o jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil, por meio do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), choca o mundo pelo vergonhoso ataque à liberdade de imprensa.

Pedagogicamente, é bom lembrarmos que a retirada do COAF da alçada de Moro foi uma medida acertada do Congresso Nacional. Mas a PF ainda continua subordinada ao ministro que, pela investida contra Gleen, indica seu uso para fins políticos e perseguição a adversários.

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Embora tenha saído da estrutura da Justiça, a presidência do COAF é exercida pelo auditor-fiscal Roberto Leonel de Oliveira Lima –homem de confiança do ministro Sérgio Moro desde Curitiba, na Lava Jato.

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Durante seu depoimento na Câmara, nesta terça (2), o ex-juiz não confirmou o uso do aparelho estatal contra o fundador do Intercpet. Preferiu tangenciar as respostas e repetiu o mantra dos “hackers”, blá, blá, blá.

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A mídia internacional está sendo mais enfática sobre o ataque à liberdade de imprensa no Brasil, conforme atesta a manifestação da Freedom of the Press Foundation (Fundação Liberdade de Imprensa).

Se Moro quiser continuar no cargo de ministro da Justiça não pode ter à sua disposição ferramentas de perseguição a jornalistas e políticos. O COAF ele já perdeu, mas ainda mantém a PF sobre seu controle. A liberdade de imprensa corre risco no Brasil.