Por Milton Alves

Lava Jato S.A: O banditismo da ‘República de Curitiba’

Publicado em 15/07/2019

Brasília – O então juiz federal Sérgio Moro, o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, e o procurador Deltan Dallagnol, participam da palestra Democracia, Corrupção e Justiça, no UniCEUB (José Cruz/Agência Brasil)

Neste domingo (14), novamente, o país é sacudido por graves revelações do site The intercept Brasil e da Folha de São Paulo sobre o modus operandi criminoso da Lava Jato e da estratégia de negócios criada pelos procuradores da autoproclamada ‘República de Curitiba’.

A reportagem da Folha de São Paulo e do site The Intercept Brasil deste domingo (14), revela a estratégia dos procuradores Deltan Dallagnol, Roberto Pozzobon e outros para a montagem de uma empresa de palestras e eventos, com base no prestígio e na visibilidade auferidos a partir da Operação Lava Jato.

A Folha transcreve os diálogos onde Deltan em conversa com Pozzobom aponta o caminho para lucrar às custas da Lava Jato: “Vamos organizar congressos e eventos e lucrar, OK? É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade”, diz um empolgado Dallagnol.

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Nos seguintes conteúdos revelados pela Vaza Jato, as conversas entre os procuradores indicam claramente para a consolidação de uma permanente e lucrativa estratégia financeira, baseada em parcerias com empresas do ramo de eventos e a criação de um instituto, que seria pilotado pelas esposas dos procuradores. Deltan chega a projetar os seus lucros em torno de 400 k ao ano e precifica uma tabela para as futuras palestras.

As bancadas do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados e no Senado anunciaram neste domingo que irão apresentar até a próxima terça-feira (16) uma nova representação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra membros da força-tarefa da Operação Lava Jato, após a divulgação de mensagens que revelam o objetivo de lucrar com palestras para empresas, universidades e em eventos de compliance no exterior.

Batalha de narrativas

A batalha de narrativas segue em renhida disputa. A linha central do argumento de Sérgio Moro, dos procuradores e do governo Bolsonaro é continuar martelando em torno da ilicitude do conteúdo dos diálogos obtidos pelo The Intercept Brasil.

A narrativa lavajatista tem um só objetivo: fugir do debate de mérito da gravidade dos crimes revelados e tentar criminalizar o site, alegando uma pretensa ação de hackers que obtiveram o material de forma “ilegal e criminosa”. Ou seja, ao invés do debate se concentrar na apuração dos atos da parceria entre o juiz e os procuradores da força-tarefa, que de forma arbitrária selecionavam os alvos a serem abatidos por meio de toda sorte de atropelos ao Estado de Direito.

Os vazamentos divulgados até o momento pelo The Intercept Brasil são suficientes para anular todas as condenações forjadas pelos métodos da Lava Jato. A parcialidade do ex-juiz Sérgio Moro foi fartamente comprovada pelos vazamentos dos diálogos com o coordenador da força-tarefa Deltan Dallagnol. Além da nova descoberta de uma verdadeira “Lava Jato S.A” em Curitiba.

Glenn promete novas revelações e, ao mesmo tempo, aumentam as demandas políticas que exigem a nulidade de todos os atos praticados pelo ex-juiz de primeira instância contra Lula e os demais condenados pela Lava Jato.

Também fica evidente a necessidade da apuração pelo Ministério Público, o Supremo Tribunal Federal (STF), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) da conduta dos procuradores envolvidos nos mecanismos da “República de Curitiba”, restabelecendo a primazia do Estado de Direito, com a extinção da força-tarefa da Lava Jato e de seus braços pelo país.