Moro xingou de “alguns tontos” militantes do MBL, diz vazamento do Intercept

Publicado em 23 junho, 2019

O ministro Sérgio Moro considerava o Movimento Brasil Livre (MBL) um grupo formado por “alguns tontos”. A mensagem é de 2016 e faz parte de novo vazamento divulgado neste domingo (23) pelo Intercept em parceria com a Folha.

“Nao.sei se vcs tem algum contato mas alguns tontos daquele movimento brasil livre foram fazer protesto na frente do condominio.do ministro”, diz o diálogo do então juiz Moro com o procurador Deltan Dallagnol, ao pedir ajuda deste para desmobilizar protesto em frente à casa do ministro Teori Zavaski, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) morto em janeiro de 2017.

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Na época, militantes do MBL estenderam faixas em frente ao apartamento de Teori, em Porto Alegre, em que o chamavam de “traidor” e “pelego do PT” e pediam que deixasse “Moro trabalhar”. 

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“Isso nao ajuda evidentemente”, reclamou Moro, referindo-se ao movimento de extrema-direita.

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Deltan mais uma vez foi condescendente com a “liberdade de expressão” e despistou Moro dizendo que não tinha contato com o MBL: “Não sendo violento ou vandalizar, não acho que seja o caso de nos metermos nisso por um lado ou outro.”

O diabo é que esses “alguns tontos” do MBL, xingados pelo ex-juiz, prometem voltar às ruas no próximo dia 30 de junho em apoio a Moro.

Moro nunca foi juiz imparcial

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O ministro Sérgio Moro foi acusado pela série de reportagens do site Intercept de liderar um corrupto esquema na Lava Jato que visava punir adversários políticos e ideológicos. Segundo conversas secretas divulgadas pelo jornalistas Glenn Greenwald, o então magistrado paranaense combinava com o procurador Deltan Dellagnol, coordenador da força-tarefa, estratégias para agravar [ou aliviar] a situação de acusados.

Além de auxiliar a acusação (Ministério Público Federal), o ex-juiz também coordenava as ações de mídia da Lava Jato contra a defesa de réus –a exemplo do que ocorreu no dia do depoimento do ex-presidente Lula, 10 de maio de 2017. Moro pediu para que o MPF contestasse o ‘showzinho da defesa’ por meio de nota à imprensa.

O pedido de ajuda de Moro ao procurador Deltan, no caso desses “alguns tontos” do MBL, é mais uma evidência sobre o grau de promiscuidade e irmandade entre magistrado e MPF.

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O sistema penal acusatório previsto na Constituição Federal proíbe veementemente que o julgador atue para enfraquecer a defesa reforçando a acusação. A falta de imparcialidade do julgador causa nulidade absoluta da sentença.

Acerca das reportagens do Intercept

O combate à corrupção era feito com métodos corruptos, fora da lei, segundo revelou o site The Intercept ao Brasil e ao mundo.

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1- juiz e acusação afastaram e escalaram procuradores para o caso Lula;

2- eles combinaram estratégia comum [julgador e MPF] para agravar a situação de acusado;

3- eles vazaram seletivamente para a velha mídia com a finalidade de prejudicar uma das partes;

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4- eles protegeram político do PSDB que não queriam melindrar e, portanto, proteger de seus rigores midiáticos; e

5- aliás, eles faziam o plano de mídia conjuntamente contra adversários políticos e adversários.