Moro preocupado com ‘esqueletos no armário’ na véspera de depoimento ao Senado

Publicado em 18 junho, 2019
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O ministro da Justiça, Sérgio Moro, tem motivos de sobra para buscar ajuda –em Ratinho ou em Jesus— na véspera de prestar depoimento na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

Nesta quarta-feira (19), a partir das 19h, o ex-juiz da Lava Jato sentará no banco para ser inquirido por parlamentares acerca da “Vaza Jato” –série de reportagens publicadas pelo site The Intercept Brasil.

O veículo de comunicação do jornalista Glenn Greenwald começou no domingo (9) a revelar tenebrosas histórias sobre submundo da força-tarefa em que o “julgador imparcial” [Moro] articulava e orientava o acusador [Ministério Público Federal], prática terminantemente proibida pela Constituição Federal do Brasil.

Pois bem, a ida de Moro ao Congresso amanhã coincide com vários esqueletos saindo do armário, isto é, ilegalidades praticadas pelo ex-juiz no passado no exercício da função pública.

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Uma das horrendas histórias foi relatada em janeiro de 2018 pela revista Época, da Globo, sob o título “O homem mais grampeado do mundo”. O semanário contava a história do empresário uruguaio Rolando Rozenblum Elpern, então morando em Curitiba, que, no ano de 2004, teve os telefones grampeados ilegalmente pelo magistrado pelo incrível período de dois anos, um mês e 12 dias.

A publicação da Globo explica que a lei brasileira permite interceptações no prazo de até 60 dias ou, “na última hipótese, quando haja decisão exaustivamente fundamentada”.

O abuso de autoridade de Sérgio Moro foi contido pelo Superior Tribunal de Justiça, que anulou todo o processo por corrupção passiva e a condenação de Rozenblum.

Outro esqueleto no armário do ministro da Justiça foi registrado ontem (17) aqui no Blog do Esmael. Também diz respeito à truculência do ex-juiz anterior à Lava Jato. Segundo o ótimo texto do jornalista Sandoval Matheus, Moro fizera o “milagre” de transformar trabalhadores da agricultura familiar em criminosos de alta periculosidade ao substituírem batatas por abobrinhas.

O mais recente esqueleto descoberto é o que mais assombra o ex-juiz da Lava Jato. Ele atende pelo nome de Rodrigo Tacla Duran, hoje radicado na Espanha. O ex-advogado da Odebrecht confirmou ao UOL, nesta terça (18), o que a mídia independente já tinha noticiado há um ano e meio: que pagou UU$ 5 milhões (cinco milhões de dólares) para não ser preso no âmbito da força-tarefa. Tal afirmação também foi dita a procuradores do Ministério Público da Suíça, em 2018.

“Tacla foi extorquido e ameaçado […] e temor por sua vida o levou a pagar uma parte da extorsão. O advogado Marlus Arns, que recebeu o pagamento -dinheiro que é apontado como uma das justificativas para o bloqueio das autoridades suíças– já tinha trabalhado com a mulher do [ex] juiz Sergio Moro, sendo outro sócio o advogado Carlos Zucolotto Junior, que também foi sócio da mulher de Moro, e que hoje trabalha com lobista profissional”, diz um trecho do documento em poder do MP suíço.

A pergunta que não quer calar é: Jesus é capaz de salvar nesses casos?

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