Enio Verri: Viva o serviço público

Publicado em 25 junho, 2019
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O estado do Paraná é um dos mais desenvolvidos do Brasil e isso se deve, em grande medida, ao seu funcionalismo público que, a exemplo de gestões anteriores, vem sendo vilipendiado pelo governador da vez, Carlos Massa Ratinho Júnior. É lamentável constatar que os paranaenses estejam governados por quem prega, errônea ou interessadamente, a ideologia do Estado Mínimo num dos países mais desiguais do mundo. Sem o Estado Ampliado, não há desenvolvimento. Quem contrata a iniciativa privada para abrir uma estrada, construir uma usina, uma indústria, ou um hospital, são os governos, com os recursos arrecadados dos contribuintes físicos e jurídicos. Até a Inglaterra, Meca dos liberais, está revendo suas privatizações e Parcerias Público Privadas, as PPPs, por prejuízos e péssimos serviços prestados. Justamente o contrário do que é vendido em sua publicidade, economia e melhor atendimento.

No Brasil, liberais são, no mais das vezes, submissos ao capital internacional, temerosos de ver um país desenvolvido e justo. Sofrem de mentalidade sub-desenvolvimentista e desejam ver o Brasil como uma imensa fazenda para a casa-grande mundial. Ratinho está empenhado em destruir o capital público paranaense, um dos mais relevantes das 27 unidades da federação. Segundo o Índice de Inovação dos Estados, criado pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará, o Paraná é o segundo mais avançado em investimentos em ciência e tecnologia. É um milagre o que os servidores públicos conseguem produzir com tanta desvalorização e tentativas de privatização. As empresas públicas são as responsáveis pela maior parte da produção científica, tecnológica e de prestação de serviços. Desde as universidades estaduais aos centros de inteligência da Segurança Pública, passando pelos hospitais e pelas escolas estaduais. O Estado é o maior indutor do desenvolvimento.

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O desprezo de Ratinho pelo serviço público começa a cobrar seu preço. Com apenas seis meses no governo, já enfrenta uma greve qualificada e unificada de vários setores dos serviços públicos, como agentes penitenciários e do meio ambiente, policiais, médicos, entre outros. Infelizmente, ao longo do tempo de negociações, o governador preferiu a intransigência às reivindicações básicas dos trabalhadores. Não há argumentos para negar a data-base, pois foi uma promessa de campanha e as contas do estado demonstram que há disponibilidade de caixa superior a R$ 2 bilhões. O suficiente para atender aos 4,9% pedidos, que ainda é muito pouco diante de uma perda de 17% que se acumula há quatro anos. Porém, mais do que o reajuste financeiro, os servidores exigem respeito.

Indignados com a disposição do governador de ignorar o serviço público, policiais civis entregaram simbolicamente, ontem, no Palácio do Iguaçu, viaturas sucateadas com as quais realizam seus trabalhos diários. No mesmo diapasão, a APP-Sindicato emitiu nota informando que denunciará o governador ao Ministério Público do Trabalho (MPT) por pressionar com ameaças de retaliação diretores e professores que aderirem à greve. Ratinho, que chegou a constituir uma comissão para negociar com os servidores, mostra sua face autoritária. Quem conduziu o processo à greve foi Jr. Ele teve tempo e condições financeiras para atender as humildes reivindicações dos servidores públicos do Paraná. Porém, por um capricho, se vê às voltas com uma mobilização que tem dia para começar, mas não se sabe nem quando e nem como terminará.

Apesar dos resultados conquistados pelas universidades, somados aos da Celepar, Tecpar, Copel, Sanepar, entre outras instituições, a intenção do governador é a de entregar as empresas para o capital privado, bem como a de asfixiar e sucatear as universidades estaduais e passa-las a empresas de educação privada, cuja produção científica, no Brasil, não à das estatais. Os servidores devem ser protegidos por toda a sociedade, de qualquer autoritarismo que se impuser, durante esse penoso e tenso processo. O que está em jogo é muito mais do que 4,9% de reajuste, trata-se da dignidade do serviço e de quem o presta, os brasileiros. É fundamental defender um eficiente Estado Ampliado, que faz a roda a economia girar e produzir riquezas econômicas, científicas, tecnológicas e sociais.

Entregar as empresas e os serviços públicos a um modo de produção predatório e autofágico, em que o lucro é o objetivo máximo, até mesmo com o exaurimento dos recursos das empresas, é um horizonte tangível para quem não tem compromisso com as pessoas que fazem o estado do Paraná ser o que ele é. Os trabalhadores são identificados como um estorvo para os frios dígitos das bolsas de valores. Confiante na vitória, hipoteco meu apoio e solidariedade à classe trabalhadora nesse enfrentamento ao qual ela se entrega, a partir deste 25 de junho. Viva o serviço público.

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