Por Esmael Morais

Moro mobiliza Força Nacional para reprimir índios em Brasília

Publicado em 17/04/2019

O ministro da Justiça de Bolsonaro, ex-juiz Sérgio Moro, assinou uma portaria colocando a Força Nacional de Segurança Pública para conter manifestações na Praça dos Três Poderes e na Esplanada dos Ministérios. A medida foi publicada às vésperas do Abril Indígena e do início das manifestações contra a Reforma da Previdência.

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Na portaria Moro registra que o pedido partiu do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, comandado pelo general Augusto Heleno. Segundo Heleno, a medida é para “desencorajar violência em atos”.

As manifestações dos indígenas fazem parte do Acampamento Terra Livre (ATL), evento que ocorre todos os anos em Brasília, onde etnias de todo o Brasil se reúnem para reivindicar seus direitos. Neste ano, o acampamento está previsto para acontecer entre os dias 24 e 26 de abril.

O acampamento foi alvo de críticas de Jair Bolsonaro (PSL) na semana passada. O presidente se referiu ao evento como “encontrão” e disse que quem iria pagar a conta seria o “contribuinte”.

Para a líder da Minoria na Câmara, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), a medida de Moro é “absurda” e explicita o Estado de exceção que vive o Brasil.

“Mais de 30 dias de uso da Força Nacional de Segurança na Esplanada? Medida sem justificativa. Põe a democracia em risco ao ampliar a repressão no espaço de protesto! Isso é gravíssimo. Ato feito para impedir a liberdade de manifestação. É um Estado de exceção no Brasil. Não há argumentos.”

“Não sei se é pelo 1° de maio, pela manifestação dos índios, da educação. Mas não importa. Esta comissão tem que requerer informação a este governo”, criticou a parlamentar.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), diz que a medida não se justifica. Segundo ele, trata-se de uma ação contra as manifestações legítimas do povo. “É assim que Jair Bolsonaro e Sérgio Moro querem recepcionar a marcha indígena”, afirmou.

Moro não faz referências ao governo do Distrito Federal ou a uma possível atuação conjunta com a Secretaria de Segurança do DF ou com a Polícia Militar do DF, a quem sempre coube conter manifestações na Praça dos Três Poderes e na Esplanada. O contingente empregado ainda será definido pelo ministério.

O prazo para validade da medida é de 33 dias a contar desta quarta-feira (17). Mas a intervenção poderá ser estendida “se houver necessidade”.

As informações são do Portal Vermelho.