Vagner Freitas

Lula não cabe em 15 metros quadrados porque tem o tamanho do Brasil, diz Vagner Freitas

O presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, defendeu nesta sexta-feira (5), em artigo, a imediata libertação do ex-presidente Lula (PT). Para o líder sindicalista, o ex-presidente tem que ser solto porque é inocente.

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“Nossa luta pela liberdade do ex-presidente só aumenta e se fortalece. Lula tem de ser libertado, não porque é o melhor presidente que este País já teve, mas porque Lula é inocente”, diz trecho do artigo.

Confira a íntegra do artigo:

As ruas do Brasil, a vontade e o grito de um povo não cabem em 15 metros quadrados. 15 metros quadros não conseguem conter a grandiosidade de um homem que há um ano, mesmo sem provas e ao arrepio da Constituição, foi confinado em um sala do tamanho de uma dessas vans produzidas por montadora de São Bernardo do Campo, cidade-berço onde a história política de Luiz Inácio Lula da Silva teve início para se amalgamar à história da redemocratização do País e mudar o cenário de miséria, injustiça e desigualdade social vivido historicamente pela maioria pobre dos brasileiros.

Eu entrei nessa sala de 15 metros. Por duas vezes tive a honra triste de visitar o ex-presidente Lula na cela improvisada dentro da Superintendência da Policia Federal, em Curitiba, onde tentam apartar do povo, dos eleitores e da família o presidente mais popular que este País já teve. Entrei indignado por ver Lula confinado injustamente, mas saí ainda mais convencido da importância dele para a democracia, a soberania e o crescimento do Brasil e a uma vida melhor para todos brasileiros.

Esses 365 dias de prisão não mudaram Lula. Foi o Brasil que mudou, para pior, depois daquelas imagens do ex-presidente saindo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC sob a escolta de policiais federais. Eu estava lá naquele e também vi a cena que, com certeza, já entrou à história como uma das maiores injustiças já cometidas neste País, e no mundo.

Neste um ano, vi Lula ser preso, sofri ao ver adversários tripudiarem sobre a dor de quem respeita e admira o ex-presidente. Vi Lula ser impedido de velar o corpo do irmão Vavá e, poucos dias depois, prantear a morte do neto Arthur, em um velório vigiado por tropa de policias com fuzis, enquanto, em volta, o povo gritava pela liberdade do ex-presidente. Isso tudo a mídia fez questão de mostrar: condenação arbitrária, prisão, dor, sofrimento, depoimentos, mentiras, ataques, audiências vazadas, delatores sem provas.

Mas vi também o que a mídia tenta esconder e os detratores do ex-presidente fingem não enxergar: a bandeira Lula Livre presente em cada ato, manifestação, protesto, assembleia em porta de fábrica, caravana e passeatas Brasil a fora. Na greve de professores ou caminhada de metalúrgicos; nas escolas, teatros, redes sociais, no Brasil e no mundo livre, o rosto de Lula e a hashtag #LulaLivre estão presentes, sem que aquela manifestação seja exclusivamente pela liberdade do ex-presidente. Porque Lula representa exatamente a luta do povo por melhores condições de vida, de trabalho, de salário, de educação, saúde, previdência, liberdades, direitos humanos. É um homem que catalisa e traduz, em sua história e governos, as vontades populares atendidas. Por isso, toda luta tem a cara do Lula e Lula tem a cara da luta.

Também tive a honra e alegria de cidadão de ver Lula subir a rampa do Palácio do Planalto com a faixa presidencial por duas vezes e só não o vi subir pela terceira vez porque a direita e a elite financeira e empresarial, com o apoio da mídia e a conivência de parcela do Judiciário, impediram, forjando um crime que não houve, sem provas, de que ele era dono de um tríplex que nunca esteve no nome dele. Um imóvel arrematado por 2,2 milhões de reais, valor pequeno para prender um homem, que em apenas uma noite, com a força do seu nome, vê um leilão de fotos arrecadar mais de 600 mil reais à campanha Lula Livre.

Que outro ex-presidente, político conseguiria que 50 renomados fotógrafos doassem suas obras para ajudar na luta pela liberdade de Lula, que um ator global pagasse R$ 8,5 mil por uma foto dele? Que outro homem receberia em sua cela mais de 600 visitas vindas de todas as partes do mundo – do assessor do Papa a pastores, monges, padres; de atores de Hollywood a estrelas de novela, do octogenário Martinho da Vila a jovens estudantes? Que político em dias de negação da política lotaria a candelária a avenida paulista, as orlas de Salvador e Rio de Janeiro, as ruas de Recife e de Porto Alegre com homens e mulheres de todas as idades, credos e raças gritando por sua liberdade? Que líder agregaria outros partidos em defesa da sua liberdade?

“Acusado” pela mídia e candidatos rasteiros de operar a campanha 2018 de dentro da cadeia, Lula, sim, esteve na campanha. Lula foi ouvido por meio de seus interlocutores e ajudou a conquistar os votos de 45 milhões eleitores para Haddad (o petista só não venceu porque 2018 foi palco da campanha da mentira, do fake News, da negação da política, do velho coronelismo fantasiado de novo). Que outro ex-presidente e conseguiria isso?

Lula é a resposta. Lula é o Cara e, por isso, está preso. Não há outro igual nem com a capacidade que ele tem para conciliar o País, fazê-lo voltar ao rumo em parâmetros democráticos.

À época da prisão do ex-presidente um “grande” portal de notícias escreveu: “Lula, fim da linha”. Um ano depois, está provado que não há juiz, promotor em busca de holofote nem judiciário dividido que consiga determinar quando Lula deixará de ocupar mentes e corações dos brasileiros como o único presidente que tornou o Brasil menos desigual. Poderia elencar aqui centenas de dados e números para lembrar o tamanho da obra pública e política de Lula. Não o farei. Estão todos nos anais da história e são incontestáveis. Lula dispensa gráficos e apresentações. O mundo o conhece e não é da cadeia.

Um conluio de interesses capitalistas e neoliberais tentou enterrar Lula vivo, mas só o fez ainda maior do que ele sempre foi e será. Porque Lula tem o povo para lhe dizer “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite” todos os dias na vigília ao lado da PF, em Curitiba. Lula tem centenas de cartas para ler na sua solidão involuntária. Lula tem o noticiário do jornais da TV, que mesmo a contragosto, é obrigado a falar no nome dele. Lula tem o relato dos advogados e amigos a contar-lhe como o povo não o esquece, seja nas redes sociais com sua hastag #LulaLivre, seja nos cartazes presentes em qualquer manifestações popular da esquerda, do PT, das centrais sindicais, do MST, em atos nas universidades e na periferia, no interior do Ceará ou em Roma.

Lula sabe que a comunidade Jurídica, no Brasil e no Exterior, denunciam a sua prisão arbitrária, sabe que o governo ignorou a recomendação da ONU e de diversos organismos para libertar o ex-presidente. Lula não se vergou, não desanimou, não reclamou. Argumentou, denunciou, se indignou.

Os tribunais fingem-se de surdos e os adversários tremem de medo ante a possibilidade de Lula deixar a prisão. Lula não aceita meia liberdade, porque quer deixar Curitiba do mesmo jeito que chegou, de cabeça erguida. Ele sempre desafiou a apresentarem uma única prova real contra ele, porque o juiz Sérgio Moro o condenou, o prendeu, mas não provou a culpa do ex-presidente. Lula está numa cela de 15 metros quadrados e Moro virou ministro todo-poderoso do presidente que mentiu ao Brasil para ser eleito. O povo cada dia mais vê que muita gente mentiu, se omitiu ou foi conivente para que o ex-presidente fosse mantido preso.

Lula poderia ter deixado o País antes de ser preso. Jamais o faria. Lula conseguiria viver dos ganhos com palestras no Exterior em qualquer país que escolhesse, longe do ódio, preconceito e intolerância que a elite sempre tentou usar para atacá-lo. Não o fez. Escolheu lutar mais esta luta, agora para provar sua inocência.

Lula foi condenado a uma pena de 12 anos e um mês. Esses 30 dias a mais, providencialmente, impediram a defesa do ex-presidente de alegar prescrição dos crimes em 2017. Mesmo assim os advogados recorreram pelo menos 17 vezes contra a prisão do ex-presidente. Lula segue preso político em um País democrático, que há três meses vê um governo revisionista impor sua ignorância histórica e política ao povo, colocando a democracia em risco.

Nesse um ano, Lula esteve presente nas vidas e orações de cada um dos brasileiros que conquistou uma vida melhor por conta das ações e avanços implementados durante os governos Lula e Dilma. Os “inimigos” diziam que Lula tinha sorte, que havia nascido virado para a lua. Ignorantes, elitistas e preconceituosos vivem há 30 anos negando o maior fenômeno político-eleitoral e popular da história do Brasil, reverenciado internacionalmente.

Condená-lo e prendê-lo foi um ato estrategicamente orquestrado, mas também foi desespero de quem tem pavor da palavra e do poder de liderança de Lula. Não adiantou. Nunca conseguirão prender Lula, porque, como ele mesmo disse ao ser preso, “não se aprisiona uma ideia”.

Nossa luta pela liberdade do ex-presidente só aumenta e se fortalece. Lula tem de ser libertado, não porque é o melhor presidente que este País já teve, mas porque Lula é inocente. Da nossa luta depende não apenas a liberdade de Lula, mas a justiça a que ele tem direito por sua trajetória.

Lula Livre!

Vagner Freitas, presidente nacional da CUT

5 de abril de 2019