Por Esmael Morais

80 tiros e o discurso do ódio de Bolsonaro, Witzel e Doria

A Folha, num raro lampejo de coerência, registra em seu editorial de hoje (11) a responsabilidade de governantes pelos 80 tiros disparados pelo Exército contra a família do músico no Rio. O jornalão paulistano afirma que as Forças

Publicado em 11/04/2019

A Folha, num raro lampejo de coerência, registra em seu editorial de hoje (11) a responsabilidade de governantes pelos 80 tiros disparados pelo Exército contra a família do músico no Rio.

O jornalão paulistano afirma que as Forças Armadas não podem exercer papel de polícia porque não têm preparo para essa função. [Aliás, nem a polícia tem tido preparado para exercer o papel de polícia…].

Em nenhum trecho do editorial a Folha citou o nome de Evaldo dos Santos Rosa, 51 anos, assassinado domingo (7) pelos militares. O “crime” da vítima foi tentar ir a um chá de bebê com a família, inclusive um filho de 7 anos. Todos estavam desarmados.

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Para a Folha, o discurso de Jair Bolsonaro e dos governadores João Doria (SP) e Wilson Witzel (RJ), que fazem apologia ao uso de armas e ao confronto com o crime, estimulam a política de atirar para matar e depois ver em quem acertou.

O jornal paulistano lembra que entre idas e vindas, após o assassinato do músico, o Exército quis encobrir o crime de dez soldados, mas as forças dos fatos desmentiram a versão inicialmente divulgada de que houve um “enfrentamento com bandidos”. Não existiu confronto. Pelo contrário. Houve uma execução com 80 tiros.