Por Esmael Morais

Moro diz acreditar na existência de mandantes do assassinato de Marielle

Publicado em 14/03/2019

O ministro da Justiça Sergio Moro disse ao Valor que crê na “existência de mandantes” do assassinato de Marielle Franco.

“Acredito que essa é uma hipótese probatória bastante provável, e que a investigação não pode ser encerrada antes disso ser confirmado, identificados os mandantes, ou completamente descartada. A impressão que se tem é que existem mandantes”, declarou ao jornal.

O ex-juiz da lava jato jurou, no entanto, que não existe relação entre o presidente Jair Bolsonaro e seus familiares com os envolvidos no bárbaro crime.

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“Não existe nenhuma relação entre o presidente e familiares com essas pessoas que cometeram esse crime. Isso sequer é cogitado, não tem nenhuma hipótese nesse sentido”, isentou na entrevista.

Se Moro descarta a hipótese da conexão entre o clã Bolsonaro e com o crime, ora, por que o ministro da Justiça não declina os nomes dos verdadeiros mandantes?

Hipótese é hipótese. Nenhuma pode ser descartada numa experimentação empírica. Trata-se de suposição, conjectura, possibilidade de acontecer, chance ou opção, independentemente da linha de investigação ser verdadeira ou falsa — por isso se chama apenas “hipótese”.

Se o ministro — cujo histórico é de perdão a ilícitos para amigos e aliados políticos — tem a convicção de que o presidente é inocente, cabe  a ele [Moro] esclarecer as coincidências que envolvem o ‘Senhor Presidente da República’ com os suspeitos presos esta semana.

Um dos suspeitos de assassinar Marielle Franco, o policial militar reformado Ronnie Lessa, é morador do mesmo condomínio de luxo onde mora Jair Bolsonaro e um dos filhos do presidente namorou a filha do suspeito preso.