Enio Verri: É a educação, governador Ratinho

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O deputado Enio Verri (PT-PR) parafraseia James Carville, o estrategista de Bill Clinton na campanha eleitoral norte-americana de 1992, ao aconselhar Ratinho Junior (PSD) no Paraná: “É a educação, governador”.

O parlamentar petista sugere pressão da sociedade para conter retrocessos, como a Meta4 nas universidades estaduais, e reaver escolas “roubadas” dos estudantes — segundo denuncia a Operação Quadro Negro.

Leia a íntegra da coluna de Verri:

É a educação, governador

Enio Verri*

Todos os países que optaram pelo caminho do desenvolvimento, necessariamente investiram em educação. A Finlândia, por exemplo, todo ano é apontada como referência nos índices mundiais de avaliação da educação. Esse investimento começou no final da década de 1960 e não parou mais. Antes desse período, apenas 10% dos finlandeses completavam o Ensino Médio e 7% acessavam os bancos universitários. Hoje, o país onde não existe escola particular, é apontado como o terceiro menos corrupto do mundo e onde o índice de percepção da felicidade é um dos mais altos, entre todos os países pesquisados. A receita, não exatamente o conteúdo, é copiada por países não menos desenvolvidos, como: Japão, Alemanha e Dinamarca.

A Finlândia não enriqueceu para, depois, investir na sua sociedade. Pelo contrário, a decisão política dos seus dirigentes foi no sentido de buscar construir um país onde a qualidade da educação fosse o caminho para o seu desenvolvimento. Deu certo. Essa consciência política pode ser internalizada pelo Brasil, mas não é o que acontece, apesar de todas as condições humanas e materiais existentes aqui. Afinal, aqui é a terra de Paulo Freire e de Antônio Carlos Gomes da Costa, ente outros grandes pensadores do campo da Educação. O Paraná, sexto estado mais rico da federação, tem o seu desenvolvimento retardado por duas políticas deletérias ao seu desenvolvimento. Uma delas foi o desvio, durante a última administração, de R$ 20 milhões destinados a reformas e construção de escolas do Ensino Médio. Foi arrancada de milhares de estudantes a oportunidade da superação da condição socioeconômica, por meio da frequência aos bancos escolares.

Ainda é desconhecida a projeção das décadas de atraso às que o estado foi condenado. A sociedade, como um todo, pagará a conta com o empobrecimento intelectual e financeiro pelo que foi negado aos estudantes. A consequência, lotação de salas de aula, evasão escolar, trabalhadores com menos formação no mercado de trabalho. Outra medida política nefasta contra a educação, produção científica e o desenvolvimento tecnológico do Paraná é o Sistema Meta4, imposto às universidades estaduais do Paraná. As UEs foram obrigadas a abandonarem seus sistemas de gestão para adorarem o da Secretaria de Fazenda. A medida feriu de morte a autonomia universitária, condenando suas demandas à anuência de uma secretaria alheia às características dos centros de formação acadêmica e científica.

O desdobramento das opções políticas de agentes públicos que não acreditam, que não se importam com a educação e, muito menos, com o desenvolvimento do Paraná, será o empobrecimento geral do estado e dos paranaenses. A questão está posta para a sociedade e cabe a ela decidir que caminho a tomar. O do desenvolvimento, ou o do atraso e da dependência? Somente ela, por meio da pressão organizada, pode convencer o atual governador, Ratinho Júnior, a investir na recuperação das instituições e no tempo que se perdeu e está se perdendo sem aprendizagem e sem desenvolvimento acadêmico e tecnológico. Revogar o Meta4 e construir, o mais rápido, as escolas roubadas dos estudantes são questões prioritárias para um governo que respeita os votos recebidos. O Paraná deve se fazer respeitar por quem ora o dirige.

*Enio Verri é economista e professor licenciado da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e está deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores do estado do Paraná.

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