Globo põe Igreja Católica dentro da lava jato

A revista Época, da Globo, afirma que padres e bispos da Igreja Católica chafurdam na corrupção e indica que os religiosos foram delatados na lava jato.

A publicação dos Marinho recorreu a um trecho do depoimento do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (MDB), para criminalizar a Igreja Católica — um dos bastiões contrários ao governo neofascista de Jair Bolsonaro (PSL), objeto, inclusive, de espionagem da ABI (Agência Brasileira de Inteligência).

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Vamos ao que disse Cabral na tarde de terça-feira (26) ao juiz Marcelo Bretas, responsável pelas ações da lava jato na primeira instância do Rio.

“Não tenho dúvida de que deve ter havido esquema de propina com a O.S. da Igreja Católica, da Pró-Saúde”, afirmou o ex-governador. “O dom Orani devia ter interesse nisso, com todo respeito ao dom Orani, mas ele tinha interesse nisso. Tinha o dom Paulo, que era padre, e tinha interesse nisso. E o Sérgio Côrtes nomeou a pessoa que era o gestor do Hospital São Francisco. Essa Pró-Saúde certamente tinha esquema de recursos que envolvia religiosos. Não tenho a menor dúvida”.

A Arquidiocese do Rio de Janeiro se manifestou por meio de nota: “Sobre o depoimento do ex-governador, podemos afirmar que a Igreja Católica no Rio de Janeiro e seu Arcebispo têm o único interesse que organizações sociais cumpram seus objetivos, na forma da lei, em vista do bem comum”.

Para azedar ainda mais o arroz doce da Igreja Católica, na edição deste final de semana, a Época apresenta na capa o ex-padre Wagner Augusto Portugal como um dos colaboradores da Operação S.O.S., desdobramento da lava jato no Rio. De acordo com a revista da Globo, o ex-religioso confessou sua participação no desvio de R$ 52 milhões dos cofres estaduais envolvendo contratos da Secretaria de Estado de Saúde do Rio com a organização social católica Pró-Saúde em 2013.

Pró-Saúde divulga noa de esclarecimento:

NOTA – 28/02/2019

Em 2017, a nova diretoria da Pró-Saúde tomou, espontaneamente, a iniciativa de colaborar com a apuração do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, no âmbito da Operação S.O.S, divulgada em agosto do último ano. A ação está em segredo de justiça e tem resultado em importantes desdobramentos na investigação de práticas irregulares na gestão da saúde pública no Brasil.

Soma-se à colaboração espontânea oferecida por integrantes da nova diretoria da Pró-Saúde, que assumiu a administração da entidade em 2014, um conjunto de ações concretas que visam a estabelecer padrões elevados de integridade na rotina institucional da entidade, que completará 52 anos de atividades em junho:

• Em 2017, a Pró-Saúde instituiu o Compliance em seu novo modelo de gestão e, também, contratou uma consultoria para orientar na implantação das ações de integridade institucional, focada em medidas anticorrupção;

• No mesmo ano, foi implementada a Governança Corporativa, que instituiu normas de transparência e reorganizou todos os seus processos internos; o mais recente passo está em curso: todos os 16 mil colaboradores da instituição estão recebendo treinamento nas novas regras institucionais;

• Em 2018, aprimorou as medidas já tomadas e lançou o seu Código de Ética e de Conduta, com determinações claras que devem ser rigorosamente seguidas por todos os públicos: alta direção, colaboradores, usuários dos serviços, fornecedores, contratantes e parceiros comerciais.

Trata-se de um esforço conduzido pela nova diretoria para consolidar uma cultura de gestão austera, íntegra e transparente, em que os processos internos estejam acima dos ocupantes das funções, e que o cumprimento da legislação seja um valor irrenunciável.

As despesas dos colaboradores da instituição observam atualmente a legislação, bem como as diretrizes e normas internas, que alcançam, inclusive, o reembolso das despesas relacionadas ao exercício de atividades institucionais pela sua diretoria Estatutária. Composta por religiosos, a diretoria Estatutária participa das macrodefinições estratégicas e, também, desenvolve projetos importantes nas unidades sob sua gestão – caso ilustrativo é o da Pastoral da Saúde, ação cristã que leva conforto e tranquilidade para doentes e familiares. Dessa forma, viagens e reembolsos de suas despesas institucionais são custeados em conformidade com os regulamentos internos, sempre em função da sua participação ativa nas ações da Pró-Saúde. Sua remuneração, ademais, obedece rigorosamente os limites do artigo 12 da Lei n. 9.532/97 e das demais normas de regência.

Por fim, a presença religiosa reforça a missão solidária consolidada pela Pró-Saúde durante mais de meio século de existência, em benefício dos brasileiros que dependem da saúde pública. Atualmente, mais de um milhão de usuários do SUS, mensalmente, são atendidos nas unidades gerenciadas pela instituição, em 11 Estados brasileiros – e, em ranking divulgado pela imprensa, dois dos dez melhores hospitais públicos do País estão sob gestão da Pró-Saúde.

Assessoria de Comunicação – Pró-Saúde

Atualizado ás 17h00.

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