Por Esmael Morais

Estréia de filme “Marighella” em Berlim vira ato contra Bolsonaro e a direita

Publicado em 16/02/2019

O ator Wagner Moura dirigiu a cinebiografia de Carlos Marighella, que fez sua estréia nesta semana no festival de Berlim. Moura posou com a equipe carregando uma placa em homenagem a Marielle Franco.

Além disso, o ex-deputado Jean Wyllyes (PSOL), que abandonou o país e o mandato por causa de ameaças, esteve em Berlim para assistir ao filme.

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Carlos Marighella foi um político e escritor, integrou Partido Comunista Brasileiro e depois do golpe de Estado de abril de 1964, decidiu passar para a luta armada. Foi considerado o inimigo número 1 da ditadura até seu assassinato em 1969.

Em entrevista coletiva no festival, Wagner Moura disse que foi a experiência artística mais importante da sua vida.

“Espero que meu filme seja maior que o atual Governo de Bolsonaro, e é a primeira resposta da cultura a esta situação. Marighella fala de alguém que resistiu naquela época e se dirige a quem resiste agora: a comunidade LGBTI, os negros, os moradores das favelas…”.

Ele comparou o assassinato de Marighella ao de Marielle Franco. “Marighella, líder social negro, foi assassinado em 1969 dentro de um carro por disparos da polícia.”

“Meio século depois, uma ativista social negra (Marielle) foi assassinada no Rio dentro de um carro por membros das forças de segurança. A situação de torturas e assassinatos é a mesma.”

“É o Estado que não mudou, e ele escolhe seus inimigos. Os paralelismos são muito claros para mim. Não é um documentário, os personagens são amálgamas de gente real, mas as situações e os sentimentos são reais”.

O filme entre na disputa de narrativas que se instalou no país. O presidente e seus aliados civis e militares querem desfazer a imagem da ditadura militar como algo maléfico. Eles querem reescrever a história. O filme vem para ajudar a contar o lado dos oprimidos.

Com informações do El País.