Bolsonaro reclama de vazamento no Coaf, mas nomeou especialista em vazamentos

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) reclamou nesta quinta (3), em entrevista ao SBT, do vazamento de dados do Coaf (Controle de Atividades Financeiras) contra o motorista Fabrício Queiroz.

“Quebraram o sigilo bancário dele sem autorização judicial. Cometeram um erro gravíssimo”, disse na emissora de Silvio Santos.

O diabo é que o “Capitão” nomeou para o Ministério da Justiça o ex-juiz Sérgio Moro cuja especialidade é justamente vazar dados contra adversários políticos.

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O ex-titular da lava jato, por exemplo, é acusado pelo PT de grampear Lula e Dilma sem autorização judicial e vazar os áudios para a TV Globo.

Pela lógica bolsonarista, o vazamento de informações só é válido quando tem-se por objetivo atingir os outros.

“A potencialização em cima dele [Queiroz] e de meu filho [Flávio] foi para me atingir”, emendou o presidente.

Queiroz é pivô do escândalo do Coaf que detectou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta do motorista e ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), na Assembleia Legislativa do Rio. Segundo relatório do órgão, 99% do dinheiro era proveniente de servidores na Alerj.

“Não tenho nada a ver com essa história”, jura Bolsonaro, embora ele seja amigo íntimo de Queiroz desde 1984.

Como o seguro morreu de velho, Jair Bolsonaro transferiu o “indigesto” Coaf da Receita Federal para a pasta da Justiça, de Sérgio Moro. Além disso, o presidente decretou a censura ao presidente, conselheiros e servidores em exercício do órgão.

O artigo 7º do Decreto 9.663, de 1º de janeiro de 2019, assinado por Bolsonaro, estabelece que: “Ao Presidente, aos Conselheiros e aos servidores em exercício no Coaf é vedado: III – manifestar, em qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento no Plenário”.

O decreto também proíbe os servidores de “fornecer ou divulgar as informações de caráter sigiloso, conhecidas ou obtidas em decorrência do exercício de suas funções, inclusive para os seus órgãos de origem”.

Assista à integra da entrevista de Bolsonaro ao SBT:

PARTE 1

PARTE 2

PARTE 3

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