Por Esmael Morais

Áreas indígenas ficam sem médicos após saída dos cubanos

Publicado em 19/01/2019

De 92 vagas para do programa mais médicos em áreas indígenas na Amazônia, somente quatro foram preenchidas. 88 seguem sem atendimento.

Segundo matéria da Saúde Popular compartilhada pelo Brasil de Fato, o governo Bolsonaro (PSL) não consegue resolver vazio deixado por médicos cubanos nas regiões mais vulneráveis do país.

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O acesso aos distritos indígenas é bastante complicado e, muitas vezes, deve ser feito com um avião monomotor. As dificuldades fizeram com que essas comunidades ficassem por décadas totalmente desassistidas na Atenção Básica à saúde, até a criação do Mais Médicos em 2013.

“A saída dos cubanos do estado do Amazonas retirou de imediato 322 médicos, que trabalhavam quase que exclusivamente no interior do estado, deixando cerca de um milhão de pessoas à margem do sistema. Eram 322 médicos cubanos que atuavam em 60 municípios do estado”, conta Januário Neto.

Ele é presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado (Cosems-AM) e titular da pasta no município de Manaquiri.

As regiões com maior volume de população indígena, segundo Neto, foram as mais afetadas pela saída dos profissionais cubanos.

“As mais impactadas foram as regiões que comportam as áreas indígenas e as regiões mais distantes do estado do Amazonas, como as calhas dos rios Solimões, Juruá, Purus, Alto Rio Negro e Madeira. Sobre a saúde indígena, das 92 vagas foram repostas somente quatro. Ou seja, há 88 localidades que atenderiam em torno de três mil pessoas cada, com aproximadamente 270 mil índios desassistidos de atenção médica”, elenca o gestor.

Via Saúde Popular e Brasil de Fato.