Natal com Lula preso reforça narrativa e mística petista

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso político da Lava Jato há mais de oito meses em Curitiba, não terá a visita dos familiares e nem a tradicional ceia do Natal, uma secular e icônica celebração do mundo cristão. Líder popular e carismático, Lula segue como um personagem emblemático da forte polarização política em curso no país.

O ministro do STF Marco Aurélio Mello, na semana passada, às vésperas do recesso do Poder Judiciário, tentou restabelecer os princípios constitucionais, ordenando a soltura dos condenados em segunda instância judicial, o que incluiria o ex-presidente, mas teve a decisão liminar cassada por Dias Toffoli. O episódio despertou uma dramática esperança em seus familiares e apoiadores, mas revelou, também, o círculo de ferro movido pelas instâncias do poder dominante contra a libertação do líder petista.

Nesses mais de oito meses, Lula saiu uma única vez do cárcere, foi em 14 de novembro, para ser interrogado pela juíza Gabriela Hardt.

Nesta noite de 24 de dezembro no Espaço da Vigília Lula Livre, dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que tiveram Lula entre os membros fundadores de ambas organizações, juntamente com ativistas de outros movimentos sociais, farão uma ceia coletiva e ato religioso para demonstrar solidariedade e apoio ao ex-presidente.

A perseguição politica e judicial e os atropelos à democracia para manter Lula preso são, cada vez mais, vistos como uma situação de injustiça por amplos segmentos da população. O que tende a reforçar a narrativa política e a mística binária do petismo, da luta das elites poderosas contra o partido de Lula.

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