Moro faz silêncio sobre escândalo de Bolsonaro; políticos cobram posição

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), líder do PT na Câmara, cobrou um pronunciamento do ex-juiz Sérgio Moro sobre o escândalo da família Bolsonaro.

“E aí, Sérgio Moro?”, questionou o líder petista para o futuro ministro da Justiça que tutelará o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão que descobriu o “cachorro” de R$ 1,2 milhão dos Bolsonaro.

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A presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, também foi à forra com o sumiço do ex-titular da lava jato e futuro comandante do Coaf.

“Alguém viu Sérgio Moro por aí, depois daquele tchauzinho?! Sumiu o moço! O que falará e fará dessa vez? Proteção como a Cláudia Cunha ou processo como a dona Marisa? Uma gastou milhões no cartão de crédito internacional! Outra não tinha nenhuma movimentação suspeita em suas contas”, comparou a senadora.

O senador Roberto Requião (MDB-PR), por sua vez, pediu que Bolsonaro renuncie à Presidência da República para não envergonhar ainda mais o país.

“Que Deus dê força e coragem a Bolsonaro. Que esclareça os malfeitos se existirem, e que renuncie a presidência para não envergonhar ainda mais nosso Brasil. O povo acima de tudo e Deus acima de todos”, sugeriu o emedebista.

O presidente eleito se explicou, mas não convenceu, sobre depósito de R$ 24 mil na conta da mulher Michelle Bolsonaro. Segundo ele, o dinheiro depositado na conta da esposa pelo motorista do filho Flávio, era quitação de empréstimo feito pelo motorista.

“Mas por que esse empréstimo não consta na declaração de imposto de renda do Bolsonaro? Esqueceu? Sonegou? Ou não é empréstimo?”, perguntou o ativista digital Stanley Burburinho.

Fato é que o valor movimentado pelo motorista do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro, de R$ 1,2 milhão, é maior que o valor do tríplex do Guarujá (SP) atribuído ao ex-presidente Lula, R$ 1,14 milhão, que culminou em 12 anos e um mês de prisão cuja sentença foi prolatada pelo então juiz Sérgio Moro.

O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) disse que Bolsonaro e filharada estão enrolando o respeitável público sobre a fortuna que girou na conta do assessor, segurança de Flávio e amigo há 34 anos do presidente eleito. “Por que Bolsonaro não manda ele [motorista] aparecer e se explicar. Ou estão esperando até montar o álibi? Aí tem!”, considerou.

O ex-presidenciável Guilherme Boulos (PSOL) desconfia que Moro irá atuar como “leão de chácara” dos Bolsonaro quando estiver à frente do Coaf.

“176 saques em 1 ano. R$1,2 milhões na conta de um laranja. Tudo com provas materiais. É o primeiro escândalo da presidência de Bolsonaro, antes mesmo da posse. Moro irá comandar o Coaf. Vai mandar investigar ou fazer vistas grossas ao negócio em família envolvendo seu novo chefe?”, tuitou.

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