A falsa “liberdade de concorrência” na aviação

Publicado em 15 dezembro, 2018
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Há algumas mentiras contadas pela velha mídia que precisam ser desmistificadas de quando em quando. Uma delas é sobre a “liberdade de concorrência” na aviação, uma falsidade incrível.

Peguemos como exemplo a indústria automobilística. Se existe uma pluralidade de montadoras, de modelos e marcas por que uns não concorrem com os outros? Por que os veículos brasileiros são tão caros em relação a outros países?

Não vale o leitor responder que são os impostos, pois seria uma meia-resposta para uma meia-verdade de uma falsidade inteira.

Os automóveis brasileiros são caros porque inexiste a concorrência entre as marcas e porque as montadoras controlam o mercado, isto é, combinaram preços para manter as taxas de lucros nas alturas.

Se a Volkswagen concorresse de peito aberto com a Renault ou Fiat, por exemplo, necessariamente as três quebrariam pela característica predatória da concorrência. Para sobreviver, portanto, a indústria automobilística combina preços, etc.

Assim também funciona em relação à aviação. São inúmeras as companhias nacionais brasileiras quebraram nas últimas décadas em virtude da concorrência: America Air, ATA Brasil, BRA, Cruzeiro do Sul, Fly, Flyways, Lóide Aéreo Nacional, Mais, NOAR Linhas Aéreas, Panair do Brasil, Pantanal, Paraense Transportes Aéreos, Puma Air, Rico, Sol, TAF, Transbrasil, Syndicato Condor, Viação Aérea São Paulo (VASP), TABA, Varig, Webjet Linhas Aéreas, Brava Linhas Aéreas, VRG Linhas Aéreas (VARIG/GOL).

Pois bem, esta semana Michel Temer (MDB) assinou medida provisória (MP) autorizando as empresas de aviação nacionais a terem participação ilimitada de capital estrangeiro. Isto significa que se formará um oligopólio estrangeiro operando na aviação brasileira. Ou seja, as companhias combinarão preços de tarifas e passagens contra os usuários.

Lembre-se, caro leitor, se houvesse concorrência no setor as empresas quebrariam. É da natureza do capitalismo.

Resumo da ópera: a “liberdade de concorrência” na aviação é tão crível quanto o curandeirismo do médium João de Deus, qual seja, continuaremos pagando as tarifas e as passagens continuarão sendo as mais caras do mundo.

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