Por Esmael Morais

General Villas Bôas ressuscita fantasma da “Intentona Comunista de 1935”

Publicado em 26/11/2018

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, ressuscitou um velho fantasma da narrativa anticomunista e da guerra fria, neste domingo(25), quando escreveu em postagem no Twitter ter determinado que seja feita uma análise sobre a chamada “intentona Comunista de 1935”. Segundo ele, o objetivo é evitar o derramamento de “sangue verde e amarelo”.

O que se convencionou chamar de “Intentona Comunista” foi um levante político-militar de oficiais militares do Exército em Natal, Recife e Rio de Janeiro, que ocorreu entre os dias 25 e 27 de novembro, com o objetivo de depor da presidência Getúlio Vargas. A rebelião foi derrotada pelo governo, após enfrentamentos que resultaram na morte de oficiais que defendiam o regime.

A tentativa de tomada do poder foi dirigida pela Aliança Nacional Libertadora (ANL), liderada pelo tenentista e comunista Luís Carlos Prestes, o que resultou numa feroz e brutal repressão do governo getulista contra o Partido Comunista Brasileiro(PCB), os dirigentes sindicais, parlamentares e de levas de expurgos no Exército e no serviço público.

Anualmente,  o Exército Nacional promove atos e solenidades para homenagear a memória dos mortos nos eventos de 1935. Durante a ditadura militar, a data de 27 de novembro era utilizada como instrumento político de crítica e intimidação aos oposicionistas dos governos militares (1964-1985).

A decisão do comandante do Exército de rever aqueles acontecimentos retoma a velha agenda da narrativa anticomunista dos setores mais reacionários do país, que hoje ocupam espaços de poder no futuro governo do presidente eleito.

Determinei ao que rememorem a Intentona Comunista ocorrida há 83 anos (27 Nov 1935). Antecedentes, fatos e consequências serão apreciados para que não tenhamos nunca mais, irmãos contra irmãos vertendo sangue verde e amarelo em nome de uma ideologia diversionista