15 de novembro de 1889, o 1º golpe militar brasileiro

Há exatos 129 anos o Brasil inaugurava a Era dos Golpes Militares, movimento que depôs o imperador D. Pedro II e instaurou a República.

As elites de antanho preferiram o golpe militar para derrubar a monarquia à revolução social com a participação do povo, pois, se este participasse do levante também exigiria participar do poder.

A verdadeira Revolução Social só ocorreu em 1930, com Getúlio Vargas, cujo movimento foi de ruptura com a velha política do café com leite representada pelas arcaicas elites paulistanas e mineiras.

Desde de então, o Brasil vem enfrentando de tempos em tempos golpes e períodos autoritários dentre os quais o de 1937 — ainda sob Vargas — a pretexto de combater os “comunistas”. Essa ditadura ficou conhecida como “Estado Novo” ou Terceira República e durou até 1945.

A próxima ditadura militar se deu em 1º de abril de 1964 e manteve o país sob a escuridão por longos 21 anos, isto é, caiu em 1985 por força do movimento popular Diretas Já.

Os brasileiros só voltaram a escolher o presidente da República em 1989, ironicamente 100 anos após o primeiro golpe militar liderado pelo marechal Deodoro da Fonseca.

Em 2016, novamente, o Brasil sofreu um novo golpe que derrubou a presidenta Dilma Rousseff. A participação dos militares foi discreta neste episódio, mas participaram indiretamente.

Na eleição de 2018, culminada com a questionável [pelo PT] vitória do ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro, houve maior efetividade dos militares. A prisão de Lula para não participar do pleito foi uma das ingerências das Forças Armadas, segundo relatou o próprio comandante Eduardo Villas Boas. Ele revelou que calculou uma intervenção no Supremo Tribunal Federal (STF), em abril passado, caso a corte concedesse um habeas corpus libertando o ex-presidente para concorrer ao Palácio do Planalto.

Como se vê, caro leitor, o golpe militar deste ano foi mais sutil, calculista, midiático, jurídico e financeiro (bancos privados), portanto mais sofisticado que o de 15 de novembro de 1889, mas a fraude eleitoral deste outubro — segundo os petistas — é mais golpe a ser inscrito na história da República.

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