Evangélicas lançam manifesto e condenam discurso de ódio


Um grupo de mulheres evangélicas de várias congregações e de diversas regiões do país lançaram nesta terça-feira (23) um manifesto para repudiar qualquer discurso de ódio disfarçado de manifestação religiosa. “Nenhum autoritarismo pode se sustentar em nome dos evangélicos ou de nossas igrejas”, diz trecho do documento.

As representantes evangélicas também condenam as “perseguições por entenderem que a democracia está ameaçada pela candidatura de Jair Bolsonaro” e tem a esperança de “que o amor triunfe, para que a justiça reine, para que a paz se instale”. Leia o documento na íntegra:

O amor e a fidelidade se encontrarão; a justiça e a paz se abraçarão.
Salmo 85. 10

É com preocupação que nós mulheres evangélicas vemos ganhar força nessas eleições discursos políticos violentos que se alimentam de ódios e ressentimentos. Infelizmente parte desses discursos surgiram no ambiente religioso e evangélico.

Tratam-se de perspectivas religiosas que se esquecem dos compromissos sociais exigidos pelo evangelho do Reino. São pessoas que reduzem o evangelho à dimensão moral e esquecem da ética comprometida com a justiça social, com a inclusão, com o Deus que chama de bem-aventurado o pobre (Lc. 6. 20). É na disputa pelo poder que esquece o pobre, que diz defender a família, mas não se preocupa com onde essas famílias irão morar ou o que irão comer.

No Golpe de 64 e durante a Ditadura Militar, boa parte do movimento evangélico, inclusive diversas denominações, prestaram apoio e homenagem aos golpistas e ditadores. Enquanto a ditadura brasileira torturava e matava opositores, parte das igrejas protestantes silenciava e expulsava as vozes libertárias e democráticas que ousaram se levantar contra o regime.

Afirmamos como evangélicas que não concordamos com posições de líderes e religiosos que dizem falar em nosso nome ou em defesa do evangelho para apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro. Nenhum autoritarismo pode se sustentar em nome dos evangélicos ou de nossas igrejas ou sob pretexto qualquer de estar em consonância com o evangelho do Reino. O evangelho do Reino tem a ver com justiça, paz, alegria.

Portanto queremos manifestar:

Nossa solidariedade com tantas lideranças que têm se pronunciado contrariamente ao discurso de ódio e violência e têm sofrido perseguições por entenderem que a democracia está ameaçada pela candidatura de Jair Bolsonaro.

Nosso compromisso como mulheres evangélicas de distintas denominações com a defesa da democracia.
Essa é a nossa vocação, a nossa esperança: para que o amor triunfe, para que a justiça reine, para que a paz se instale – e acima de tudo, para que justiça e paz se abracem em direção a um futuro em que as instituições funcionem para o enfrentamento de todo crime e corrupção, mas também para garantir os direitos humanos e a justiça social.

Assinam:

• Nancy Cardoso, Pastora Igreja Metodista, São Paulo/SP
• Romi Bencke Pastora IECLB, Brasilia/DF
• Odja Barros- Pastora Batista Maceió/AL
• Magali Cunha, Igreja Metodita, São Paul/SP
• Cibele Kuss, Pastora IECLB, Porto Alegre/RS
. Tais Machado, Presbiteriana.
• Dra. Lilian Conceição da Silva, Revda Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Jaboatão dos Guararapes/PE.
• Ires Helfensteler, Pastora
• Revda Sônia Gomes Mota, IPU, Salvador Ba
• Maria Ione Pilger, evangelica de confissao Luterana, professora, Rio Grande/RS
• Pastora claudete Beise Ulrich
• Aneli Schwarz Pastora IECLB, Belo Horizonte/MG
• Elizabeth Engert Milward A. Leitão, IECLB, Belo Horizonte/MG
• Noeli Gomes dos Santos, Caldas Novas/GO
• Pastora Wall, Brasilia/DF.
• Dirci Bubantz, Luterana. Belo Horizonte/MG.
• Roseli Schrader Giese. IECLB Belo Horizonte/ MG
• Anete Roese, Pastora
• Naara Luna, Igreja Metodista. Rio de Janeiro/RJ
. Daniela Frozi, Igreja Comunidade Presbiteriana da Barra da Tijuca. Rio de Janeiro-RJ
• Sarah de Roure – Igreja Batista, São Paulo/SP.

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