Por Esmael Morais

Propina de Beto Richa era enviada para o Paraguai, afirma delator na lava jato

Publicado em 06/09/2018

O engenheiro civil Nelson Leal Junior, em delação na lava jato, afirmou que operadores do ex-governador Beto Richa (PSDB) enviavam propina arrecadada em seis órgãos do governo do Paraná para o Paraguai.

“QUE os valores utilizados para pagar as despesas de campanha de 2014 de CARLOS ALBERTO RICHA não foram totalmente usados na campanha, vez que CARLOS ALBERTO RICHA foi eleito no primeiro turno, havendo muita sobra de recursos que foi usada para enriquecimento pessoal por intermédio das empresas do governador junto com JORGE ATHERINO e outra parte foi remetida por LUIZ ABI para o PARAGUAI, possivelmente para utilização futura”, diz um trecho da delação homologada pelo TRF4 no dia 1º de junho.

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O depoimento de Leal Junior foi prestado no dia 7 de maio para o procurador da República Diogo Castor de Mattos e ao agente da Polícia Federal Rodrigo Padro Pereira.

Em abril de 2017, o senador Roberto Requião (MDB-PR) denunciou a existência de uma “contra secreta” de Beto Richa na Suíça. “A grana sai por Foz/ Paraguay, vai para o banco Habib, e volta para empreendimentos imobiliários. Seria assim Beto Richa?”, escreveu na época o parlamentar.

A lava jato prendeu Nelson Leal Junior na 48ª fase da ‘Operação Integração’ que investigava integrantes do governo Richa pelo recebimento de propina das concessionárias de pedágio. O acusado foi solto no dia 29 de maio, 22 dias após a delação.

Segundo o termo de depoimento, a “organização criminosa” funcionava no Departamento de Estrada e Rodagem (DER), Porto de Paranaguá, Fomento Paraná, Sanepar e na Receita Estadual.

Para o tucanato paranaense na mira das investigações, a lava jato faz operação partidarizada porque tem preferência pela candidatura do ex-senador Flávio Arns (PSDB).

De acordo com a última pesquisa Ibope para o Senado, Requião lidera com 43%, Richa tem 28% e Arns 17%.

Leia a íntegra da delação de Nelson Leal Junior.