Globo acusa ONU de fake news. Pode isso?

A Rede Globo, sabidamente disseminadora de ódios e mentiras, está a acusar a Comissão de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) de espalhar fake news pela boca — ou pena — do jornalista Carlos Alberto Sardenberg.

Antes de abordarmos a fake da fake, porém é bom o leitor se localizar, saber quem é Sardenberg. Trata-se de um moço que faz previsões furadas sobre economia na Globo. Ao lado de Mirian Leitão, ele nunca acerta uma. Os arautos do neoliberalismo seriam divertidos, se não abordassem assuntos que redundam em tragédia de pessoas que não têm emprego nem renda.

Voltemos à ONU.

Sardenberg que nem de economia entende agora se diz especialista em direito internacional. Outro fiasco. Não faz bem nem uma nem outra coisa. Ele atribuiu à BBC de Londres a notícia sobre a decisão do Comitê dos Direitos Humanos que obriga o Brasil a deixar Lula disputar a eleição presidencial.

A mídia brasileira recentemente também se envolveu numa lambança parecida com o Papa Francisco. Esculhambou um enviado à Superintendência da Polícia Federal de Curitiba, o argentino Juan Grabois, porque este entregou ao ex-presidente um rosário abençoado pelo Santo Padre. As agências de checagens “fact checking” tais como Lupa, Aos Fatos, Fake ou fato, et caterva, só enxergam o que os barões da mídia e o poder econômico enxergam. Depois o Vaticano confirmou que Grabois e o mimo a Lula eram verdadeiros. As agências de checagens ficaram com cara de bunda.

Neste episódio da ONU, cuja liminar é favorável a Lula, a mídia novamente mostra-se odiosa ao açular seus cães de aluguel. O esforço hercúleo é para provar que tanto o Comitê de Direitos Humanos é fake quanto a decisão também é fake, portanto, segundo a Globo e seus miquinhos amestrados, a Organização das Nações Unidas é especialista em fake news (notícias falsas). As agências de checagens mais uma vez se mostram entulhos a serviço de uma causa política-partidária.

É bom esclarecer que a ONU não legislou ou inovou nada. Pelo contrário. Apenas leu a Constituição Federal do Brasil, art. 5º, LVII da Constituição de 1988, que enuncia: “ninguém será considerado culpado até transito em julgado de sentença penal condenatória”. Ou seja, prevê a presunção da inocência até o trânsito em julgado da sentença condenatória.

Aos olhos da lei brasileira — e da ONU — Lula é inocente porque ainda tem direito a recursos nas instâncias judiciais superiores. Sua prisão política, no entanto, fere os direitos fundamentais inscritos em convenção internacional da qual o Brasil é signatário.

Embora a mídia exija que o STF descumpra a liminar judicial da ONU, até um ministro da era tucana, Paulo Sérgio Pinheiro, dos Direitos Humanos, disse que a decisão do organismo é obrigatória e de efeito imediato.

Quanto a Sardenberg, não podemos culpá-lo. Ele apenas defende seu pão. É o dono do cachorro que precisa ser chutado, isto é, a Globo e a velha mídia golpista.

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